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A igreja que está em sua casa

Nos primeiros anos da história da Igreja, o missionário pioneiro, Apóstolo Paulo fez várias referências a igrejas que estavam nas casas. Apenas para rememorar, quero citar alguns: “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e a igreja que está em sua casa” (Cl 4.15); “E a nossa amada Afia, e a Arquipo, nosso camarada, e a igreja que está em tua casa” (Fm 1.2); “As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa” (1Co 16.19); “Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo” (Rm 16.5).


Mas não foi apenas nos primeiros anos da Igreja que as casas eram usadas como locais de reunião e culto dos crentes. Através dos três primeiros séculos essa era a prática. De certa forma, até os dias de hoje, a maioria das igrejas começam em casas de famílias que se convertem. A maioria dos missionários experimentam isso ainda neste século 21. Quero relatar aqui, para nossa edificação, um pouco da história de uma igreja na qual eu e minha família tivemos participação entre 1994 e 2002, como missionários. 

 

Em 1994 fui enviado pela Igreja Batista Regular do Horto do Ypê em São Paulo, capital, para conhecer o campo missionário da região do Alto Solimões no município de Benjamim Constant AM, para desenvolver um projeto de revitalização de uma igreja batista. Benjamin Constant é o penúltimo município do rio Solimões, fronteira com o Peru.


Estive trabalhando lá até dezembro de 2002, onde deixamos uma igreja organizada com um pastor e liderança treinada no local pelo discipulado pessoal e através de um instituto bíblico que funcionou por três anos e meio, uma escola infantil legalizada pela SEDUC, do pré-escolar até a quarta série, uma congregação ribeirinha como trabalho missionário local, e que está ativa até hoje. Aquela igreja já tinha mais de trinta e seis anos de história quando lá cheguei.

 

A Primeira Igreja Batista Regular de Benjamin Constant começou na casa da família Coelho. Na foto, Pr. Josué e sua esposa Nice em fevereiro de 2024, com as irmãs, Rute Cruz Coelho (89) e Elizabeth Cruz Coelho (84), filhas de Júlio Cruz Coelho, patriarca da família em cuja casa a igreja começou. Pr. Josué conheceu ambas e também outras pessoas que fizeram parte do início da igreja.


Júlio Cruz Coelho e seu irmão João Cruz Coelho foram evangelizados pelo conhecido missionário “Apostolo do Amazonas”, Eurico Alfredo Nelson, um sueco, que dedicou 48 anos de sua vida evangelizando diversos lugares do Norte e Nordeste do Brasil: Amazonas, Pará, Maranhão, norte do Piauí e no Ceará. Ele foi o pioneiro em iniciar igrejas Batistas em cinco estados brasileiros.

 

Durantes os 48 anos de ministério, foram dezenas de igrejas, entre as quais destaco a Primeira Igreja Batista de Belém do Pará, a Primeira Igreja Batista de Manaus, a PIB de Santarém PA, a PIB de São Luiz MA, aa PIB de Fortaleza CE, a PIB de Guajará-Mirim e de Porto Velho, em Rondônia. Há uma série de outras, conforme registrado no livro, O Apostolo do Amazonas, de autoria de José dos Reis Pereira, Casa Publicadora Batista 2ª edição, 1954.

 

Numa das viagens para o Alto Solimões se converteu o senhor Júlio e alguns familiares, e algumas reuniões começam a acontecer na pequena sala da casa de seu irmão João Cruz Coelho na Vila Esperança. Depois as reuniões foram para a casa de Júlio, ainda antes de haver a emancipação do então Distrito de Benjamim Constant AM.

 

Passaram muitos à espera de um obreiro ou pastor que viesse auxiliar os recém convertidos, e organizar uma igreja, pois o Missionário Eurico Nelson só esteve pouco tempo e de passagem por ali. O local é muito longe da capital, Manaus, mil quilômetros em linha reta, e pelas curvas dos rios bem mais, sem acesso por estradas, em uma região de fronteira muito precária.

 

No ano de 1954, pilotos missionários da missão estadunidense ABWE chegaram naquela região para o trabalho missionário e tiveram contatos com a família Coelho e mais alguns que já eram conhecedores do evangelho. E foi ali que se estabeleceu a Primeira Igreja Batista Regular de Benjamin Constant. Mesmo sem ter dados com fotos ou registro por escrito, essas duas irmãs, Rute e Elizabeth Coelho me relataram estes acontecimentos no dia 03 de fevereiro deste ano de 2024. Creio em cada palavra, pois eu estive presente em muitos acontecimentos que comprovaram esses dados.

 

Mas o que é mais importante é que o Senhor Deus usa a vida de pessoas simples como a família Coelho para serem aqueles mediadores de contato, através do qual Deus vai espalhando a sua palavra e edificando vidas através da pregação do evangelho pelas regiões mais inóspitas e imagináveis.


Ao chegar em Benjamin Constant em 1994, como missionário enviado pela Igreja Batista do Horto do Ypê da cidade de São Paulo SP, o lugar ainda era muito precário. Hoje é mais bem assistido, mas ainda é uma região de difícil acesso e há muita carestia de alimentos essenciais. Ali pude ver e ouvir muitas histórias de transformação de vidas, pelo evangelho. Há muitas vidas que estão dando frutos até hoje. É incrível a dimensão que o evangelho alcança através de pessoas usadas por Deus, por mais simples que sejam, como foi o irmão do irmão Júlio e suas filhas Rute e Elizabeth. Elas não são missionárias, e não tiveram estudos teológicos, muito menos seu pai. Mas foram perseverantes, durante os anos que estive trabalhando por ali. Elas eram presentes em todas as atividades que eu realizava como missionário; na escola, nas viagens ao Peru, com os ribeirinhos e muito mais.

 

Encontrá-las agora aqui em Manaus aonde estou realizando um trabalho missionário para plantar mais uma igreja é motivo de louvor a Deus. Essas duas irmãs, ainda hoje, um tanto debilitadas pela idade, ainda permanecem firmes. Sou imensamente grato a Deus e a elas por terem me dado o privilégio de manter uma conversa de alto nível de espiritualidade que serviram de estímulo a mim e à minha esposa Eunice. Pessoas assim nos incentivam a continuar sendo testemunha do Senhor Jesus.

 

O desafio permanece para nós ainda hoje, pois muitas casas podem ser o início de novas igrejas. Quem sabe um dia destes alguém possa dizer sobre você: "A igreja que está em sua casa".

 

Pr. Josué Amaral e Eunice

 

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