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A teologia própria e o planejamento estratégico do trabalho cristão

(Artigo 2 do Pr. Paulo Santos)

O conselho de Deus

 

“O conselho de Deus é o Seu plano eterno para a totalidade das coisas, adotado por Seu desígnio e que abrange todos os seus primitivos propósitos, inclusive todo o seu programa criador e remidor e levando em conta - ou aproveitando - a livre atuação do homem”[1].

 

Esse “Plano” revela a expectativa de Deus em relação ao universo e aos homens, e se baseia em sua soberania (Ef 1: 5, 9, 11). De acordo com as Escrituras, em sua totalidade, todo as coisas existentes estão, em particular, incluídas no Plano de Deus.

 

Nada pode ficar de fora!

 

O propósito ou a determinação de Deus

 

A combinação dos termos refere-se àqueles que haveriam de deixar o pecado e conhecer a graça manifesta de Deus e suas implicações. As Escrituras realmente limitam o preciso conhecimento da vontade soberana e misericórdia, no tocante aos seus propósitos.  Porém, temos um pouco – talvez, suficiente – de luz sobre o assunto. Contudo, a verdade é que houve a manifestação de um propósito vindo de Deus no seu ato criador.

 

Bancroft [1] lista o propósito de Deus, em relação aos homens, da seguinte forma:

·         Criar

·         Permitir a queda

·         Providenciar salvação eficaz por meio de Cristo

·         Assegurar essa salvação a todos que dela se valerem

 A criação

Deus revelou: Ele criou.  A existência, por si só, já é um fenômeno incrível. Mais incrível ainda é a imensurável riqueza de “detalhes” da criação. A tabela periódica não existe à toa. O tempo de decaimento de cada elemento, a composição única... é realmente impressionante. Mais impressionante ainda é o fato de que todo o universo é formado por estes elementos!

A complexidade celular é um show à parte. Sua constituição, atuação e função são extremamente particulares, de organismo a organismo. Da concepção da vida ao final dela, a composição celular está presente em absolutamente tudo.

A energia, o clima, a fauna e a flora, a terra seca e as águas, os astros, o ar... e, principalmente, o equilíbrio perfeito de tudo isso demonstram que houve um plano.

Não vamos entrar na discussão do Criacionismo versus Evolucionismo. Mas, indico fortemente o conhecimento do tema.

A complexidade definitivamente combinada sugere o plano. Se houve um plano, houve uma estratégia. Se houve uma estratégia, houve uma execução. Se houve uma execução, houve um trabalho a ser feito.

O Deísmo é uma cosmovisão na qual, supostamente, Deus “imprimiu” Sua presença em toda Sua criação e, depois, programou tudo para funcionar por si mesmo. Não somos deístas, ou somos? Cremos que Deus “deu corda no brinquedo” e foi cuidar da Sua vida? Não. Jesus afirmou:

"Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando".

Deus delegou grandes obras aos homens

Deus estabelece o trabalho para Adão – consequentemente para Eva (Gn. 2.15 e 18). Após a queda, o trabalho se tornaria duro e difícil (3.19). Mas, Deus estabelece a promessa, sob a visão da regeneração do homem, prevalecendo a vitória sobre Satanás e retornando o homem ao Jardim. (Gn 3. 14)

Noé trabalhou juntamente com sua família e demoraram aproximadamente 100 anos para construir a Arca, sob a expectativa de serem libertados das maldições da queda (5. 28-32).

Abrahão foi chamado a lançar os primeiros passos da História da Redenção (Gn. 12). Os patriarcas construíram a raiz familiar de onde saiu José que, tornou-se soberano sobre o Egito. A este, Deus usou para a preservação do povo hebreu, quando a terrível fome assolou a região – então, já um povo numeroso. (Gn. 50)

Moisés é tornado o libertador do povo – tanto do Egito como da escravidão. Recebe capacitação sobrenatural para realizar grandes sinais e maravilhas antes de conduzir, com extrema dificuldade e trabalho duro, o povo pelo deserto rumo à terra prometida, anteriormente. Ao demonstrar Seu caráter divino, Deus lhes fornece identidade, pelos Dez Mandamentos e todo um conjunto de leis, que lhes dirigia no “serviço” de ser povo de Deus (Livro do Êxodo).

Uma vez na terra, Deus levanta líderes incríveis – e muitos outros nem tanto – na missão de ocupar os territórios e começar a implantação da nação e do Reino físico. Reis também são levantados. Contudo, o único que atende fielmente aos planos de Deus, em detenção aos próprios, é Davi – daí o termo “homem segundo o coração de Deus”. O plano corre tão mal a partir deste ponto – claro, da parte dos homens e nunca da parte de Deus – que a dinastia dos Reis termina com Israel sendo dominado e levado cativo às nações estrangeiras, mesmo apesar das correções de Deus sobre a nação e dos inúmeros avisos através dos profetas. Conforme o pacto testamentário vigente, a desobediência trouxe as aflições prometidas.

A Nova Aliança

Já sob a ótica do Novo Testamento – o plano novo – o servo sofredor e vicário entra, literalmente, e dá um rumo totalmente novo à História da Redenção. Além dos ensinos variados sobre o Reino, a Nova Aliança, a morte sacrificial e a ressurreição, Jesus foca definitivamente nos doze discípulos e entrega – ou, delega – o plano em suas mãos. (Evangelhos)

O Livro dos Atos dos Apóstolos

Ou, o Livro do Espírito Santo, registra o estabelecimento e a expansão da nova fase do plano. É fundamental a compreensão do empoderamento dos discípulos – refiro-me aos dons (Ef. 4 et al). O estabelecimento da Igreja como o foco da ação divina, agora, é nuclear para a estratégia.  O plano prossegue, em continuação ao que vinha sendo desenvolvido desde o Jardim.

O Apóstolo Paulo

É um capítulo único, que merece sempre ser comentado. Humanamente falando, se considerarmos o conteúdo numericamente, ele contribui com cerca de 48% dos livros do Novo Testamento. Além de estabelecer-se em cidades estratégicas, com a finalidade de influenciar o mundo “novo” – ou, os gentios (i.e., os não judeus do mundo), ele mesmo fundou igrejas em várias delas. Muito do que sabemos e ensinamos sobre como Deus age e Sua vontade (Teologia), a partir da Nova aliança tem por base absoluta os seus escritos.

O Novo testamento

Outros documentos – cartas e epístolas canônicas e o Apocalipse – ainda foram escritas com o objetivo de ensinar, regular e corrigir os cristãos do Novo Testamento. Tudo isto com o propósito de prosseguir com o Plano.

O Fim

Finalmente, João é abençoado com sua escolha para escrever a descrição, de gênero apocalíptico multimídia - sensações, sons, cores e cenários, e figuras estranhíssimas – para nos mostrar com terminará ou, definitivamente, se estabelecerá a totalidade do plano de Deus.

O que aprendemos com tudo isso?

Deus tem um plano. Através dele, Sua Palavra chegou até nós: o Plano da Redenção de todas as coisas – Sua criação. Como dito anteriormente, a complexidade espantosa e definitivamente combinada sugere o plano.

Se houve um plano, houve uma estratégia. Se houve uma estratégia, houve uma execução. Se houve uma execução, houve um trabalho a ser feito.

Há um plano, uma estratégia e muito trabalho sendo desempenhados ao longo da história, após o Jardim.

Deus criou o mundo. Colocou os seres vivos – vida humana, fauna e flora – juntamente com os astros, água e terra seca em um ambiente propício para que pudessem viver em harmonia com Ele e entre eles mesmos.

Frente à realidade da Queda, estabeleceu o plano de 1) edificar um povo, 2) em uma terra particular, 3) estabelecida em um Reino, 4) submissos ao Rei, 5) a fim de alcançar toda a terra.

Quando os filhos dos homens falharam, o Filho de Deus encarnou e estabeleceu a Nova Aliança, através do Seu sangue – morte e ressurreição. Ao retornar ao céu, delegou Seu plano aos homens – edificar a Igreja de Deus, claro, não sem Seu poder, direção e vontade.

As máximas que extraímos de tudo isto:

1.    Deus planejou - e tem estabelecido seu plano ao longo da história. Isto sugere intenção.

2.    Deus usou pessoas e épocas com propósitos únicos. Isto sugere uma missão.

3.    Deus advertiu que faria o que fez. Isto sugere planejamento.

4.    Deus acrescentou talentos e recursos. Isto sugere provisão.

5.    Deus mostrou o que esperava da sua criação. Isto sugere alvos.

6.    Deus acompanhou e atualizou cada fase do plano. Isto sugere controle e precisão.

7.    Deus estabeleceu lugares, pessoas e tempos. Isto sugere estratégia.

Jesus disse que Ele próprio, assim como o Pai, ainda está trabalhando. Para isto, é inegável que Seu plano, estratégia e alvos ainda estão em vigência, hoje. A grande pergunta é:

“Como não seguir seu exemplo, como não obedecer seu mandamento?”

Somos chamados a representar sua pessoa – ou, Sua imagem – para este mundo. Logo, Sua obra. Onde Deus não estiver visível e fisicamente, nós fomos incumbidos a falar e agir em Seu nome. Fomos chamados para representá-Lo: (Gênesis 1:26,27)

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele (...).”

Somos chamados a espelhar Sua pessoa (imagem) e a concordar com Seu plano (semelhança) por toda a terra. O plano de Deus, passa a ser o nosso plano. Sua vontade passa a ser a nossa vontade. Seus alvos passam a ser os nossos alvos. Sua estratégia passa a ser a nossa estratégia.

Como fazer tudo isso, na prática, é assunto para o próximo capítulo.

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Paulo Santos é casado com a Rosana. Teólogo (SBE) e Mestre em Ministérios (SBPV).

Fundador do Instituto Vocati Discipulado e Liderança (2009), que distribui gratuitamente material, cursos e treinamentos para Evangelismo, Discipulado e Liderança. Missionário e líder de projetos para o Brasil, América Latina, África.

Contato: coordpaul@gmail.com / 11 982672361


[1] Bancroft, E.H. Teologia Elementar. EBR - pág. 81

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