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“Até quando Senhor? ”

Diferente dos outros profetas, Habacuque inicia-se com um grande clamor. O homem está indignado! Ao presenciar o caos em sua volta não se contém e explode num questionamento veemente: até quando clamarei e não me responderás? É uma pessoa consciente do Deus amoroso e justo; contudo, ao mesmo tempo em que se sente amparado pela sua fé, sofre a tensão do drama humano à sua volta. Ele absorve o grito dos excluídos, dos marginalizados e dos desgraçados vitimados pelo pecado. As indagações de Habacuque encontram eco em nossas vidas e reverberam em nossos corações, sejam a plenos pulmões ou por meio dos gemidos inexprimíveis.


Muitos de nós temos na alma o clamor do “até quando Senhor”?


Percebe-se que Deus não esmaga o grito sufocado no peito ou a voz estrondosa de uma prece atônita. Ele permite o desabafo, Ele o espera, Ele o abraça. Aliás “abraçador” é o significado do nome Habacuque.


As tensões acumuladas trazem inquietações na alma e às nossas emoções ficam à flor da pele. Com freqüência ando no centro de Santo Amaro, vejo homens de meia idade observando com avidez os jornais de emprego; outros, cabisbaixos, contemplando o nada; olho estarrecido a sujeira no chão, assim caminha a humanidade. Vejo as cenas e penso nos filhos, nos seus dependentes…. Quem os socorrerá?? Senhor, tem misericórdia e ampára-os! Abra portas de oportunidades para esses homens! Amenize o sofrimento, livra-os desse sistema perverso que lentamente intensifica a miséria.


Estou bem consciente do triunfo da justiça e da vitória do bem sobre o mal em todas as suas dimensões, contudo a terra geme, e enquanto novos céus e a nova terra, não vêm, neste tabernáculo gememos… também. Sentimo-nos tão pequenos, tão fragilizados diante da maldade desenfreada. A questão é.… o que fazer além da intercessão? Até quando a igreja permanecerá no até quando?


Sinto-me alarmado, perplexo com a miséria debaixo do sol. O que fazer? À semelhança do profeta, vou depender do Senhor. Permanecerei na “torre de vigia” e darei pequenos passos, conforme às instruções da Palavra. Como disse um conhecido meu, posso pensar globalmente e agir localmente:


  1. Ensinar a igreja a adorar o Senhor. Sem adoração perde-se o propósito.

  2. Ensinar a igreja a amar os perdidos (inclui ação social). Sem amor não há ação efetiva.

  3. Ensinar a igreja a praticar as boas obras. Sem obras a fé é vã.

  4. Ensinar a igreja a fazer discípulos. Sem conteúdo não há cristãos relevantes.

  5. Atender as necessidades da minha família. Sem a minha presença e proteção, as raízes espirituais enfraquecem.

  6. Dedicar-me à oração e ao ministério da Palavra. Sem a centralidade de Jesus no púlpito, nas reuniões e nas conversações, perderei o foco.

  7. Colocar-me disponível para Deus. Sem a atitude de servo, minha agenda deixará a desejar.

Sei que Deus vai dar um jeito no mundo: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, um dia serão fartos – Mt 5. Estou certo também que as grandes expectativas deveriam mobilizar-nos para aproximar as leis dos homens das leis divinas… Não somos chamados de sal? O inimigo estaria mais unido ás suas hostes do que os salvos por Cristo? Jesus não orou pela unidade dos seus verdadeiros seguidores? O apartheid denominacional era coisa de fariseu. Apesar das divergências denominacionais, não podemos tomar iniciativas para impactar o mundo tenebroso? Ainda bem que Jesus não defendeu nenhuma placa religiosa… Deus é superior a qualquer denominação.


Não fomos chamados para limitar a nossa atuação às quatro paredes de uma igreja local, como se existíssemos para assistir “missas” nos finais de semana, depois retornarmos para as atividades de maneira apática. Nada disso! Estamos engajados numa Missão de Salvação do destino humano. Não basta ser arrolado num cadastro administrativo de uma igreja local; somos militantes, guerreiros, combatentes, confrontadores, embaixadores num mundo em guerra contra o Príncipe da Paz.


Algumas sugestões para as igrejas evangélicas se mobilizarem:


– Parcerias com outras igrejas para boicotarem programas de TV apelativos.

– Instruir os cristãos para se posicionarem diante de comerciais imorais: escrever e-mails, manifestar sua reprovação via whats, para as empresas … E não consumirem produtos acompanhados de propaganda indecente.

– Desenvolvimento da consciência cidadã: preservação do meio-ambiente, destinação do lixo e uso adequado do patrimônio público.

– Instruir os membros para saberem votar e acompanhar candidatos políticos comprometidos com a família, com a ética e com valores do Reino.

– Equipar os cristãos para serem identificados, não simplesmente por portarem uma Bíblia debaixo do braço, mas pela distinção de João 13.33: a prática do amor e Tito 3.5, a prática das boas obras.

– Usar as instalações dos prédios de culto para, em outros dias da semana, funcionarem como oficinas profissionalizantes, centros recreativos e canais de Assistência Social.

– Unirem-se para enviar missionários, compartilhar recursos materiais e humanos para iniciar novas igrejas.


Não tem graça participar da obra de Deus de maneira passiva, inofensiva, sem suar a camisa, sem a agonia dos jejuns e das orações, sem sentir o cheiro da pólvora e perceber que a igreja existe para prevalecer contra as estruturas perversas do mal.








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