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Cristão cidadão

Não podemos nos acomodar diante das leis injustas e da “cegueira” espiritual que cerca nossa nação brasileira.


A diferença entre o político e o profeta: o político fala para agradar ao povo, fala o que o povo quer ouvir, dissimula, promete. Já o profeta fala o que Deus mandou falar. Ele é independente para falar da parte de Deus. O profeta não é político, fala para confrontar, para denunciar, para endireitar e eventualmente, animar e consolar.


Em nossa missão como pastores, inclui também nossa responsabilidade de agir como profetas, no sentido de orientar o povo em todas as questões da ética bíblica. Grandes nomes no antigo testamento (José, Daniel, Neemias, Esther, Mordecai) orientavam faraós e imperadores gentios. Vale lembrar que João, o Batista, repreendeu Herodes, mesmo que tal ato tenha lhe custado a própria vida. Paulo, aproveitou oportunidades para pregar o evangelho aos reis dos seus dias (Félix, Festo e Agripa) e nos lembrou da intercessão pelos governantes – 1 Tm 2.2. Evidentemente a igreja não é conectada a nenhum partido político, devido a sua natureza separada do Estado. Contudo, o povo de Deus tem a missão de salgar e de iluminar, inclusive através do voto.


Evidentemente, o mundo caminha de mal a pior conforme 2 Timóteo 3.1-9 (sobrevirão tempos difíceis). Independente disso, a Igreja prega uma mensagem de vida, uma igreja militante, pró-ativa, a qual existe para prevalecer contra as estruturas perversas do mal. É claro que o mundo só será melhor quando Deus criar novos céus e nova terra, pois a justiça verdadeira triunfará. Mas enquanto o céu não vem, enquanto ele não vem, somos cidadãos que sinalizam o reino através das nossas decisões, nosso comportamento e nossa influência. Não podemos ter uma postura contemplativa, passiva, calada, quando a situação exige de nós uma resposta com base em nossas crenças na Palavra. Aguardo o arrebatamento (segunda vinda de jesus) e sou pre-milenista convicto. Confio na soberania do Senhor ao conduzir a nossa história que nos levará, sem dúvida, a um final feliz. Contudo, enquanto o aguardamos, não fomos chamados para sentar nas cadeiras da nossa igreja local com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a aposentadoria, o fatalismo ou a morte chegar.


A influência de Ló em Sodoma, infelizmente era neutra. Não conseguiu sequer liderar a própria família e perdeu a reputação pela sua postura fraca de adaptabilidade ao meio degradante. Por misericórdia do Senhor, ele (e as filhas) foi tirado da vil situação e obteve nova oportunidade após o julgamento divino sobre as perversas cidades. E por incrível que pareça, o cerco em nossa volta se fecha e a sodomização da sociedade cresce assustadoramente


Será que a nossa postura deveria ser apenas o aguardar passivamente a eternidade enquanto homens impiedosos, corruptos, enganadores criam leis injustas e agem impunemente? Não sou a favor de defendermos o partido “a” ou “b”, através do púlpito, mas somos educadores espirituais, com a responsabilidade de ajudar o nosso povo a pensar. Se não podemos fazer muita coisa, podemos pelo menos exercer o discernimento para escolher bem nossos representantes. Além do mais, a boa cidadania é questão de bom testemunho. Cabe a nós, sermos modelos quanto ao cuidado com o lixo; não jogá-lo nas ruas, limpar a frente da nossa casa; separar material para reciclagem; evitar o desperdício (da água, alimento, combustível); plantar uma árvore na calçada. Podemos inspirar os outros ao agirmos localmente e pensarmos globalmente. É o mínimo que podemos fazer. Não podemos observar a política de longe, não podemos viver alheios ao que acontece, não podemos deixar de argumentar, conhecer as leis e o perfil de cada candidato. A alienação política abre o caminho para governos totalitários, abusivos, injustos e opressores. Paul Medeiros Krause, afirmou em seu texto: “ …quem não preza a sua liberdade, não se queixe de perdê-la”.[1]


Por causa da transgressão da terra, mudam-se frequentemente os príncipes, mas por um sábio e prudente se faz estável a sua ordem” – Provérbios 28.2.


“Não havendo profecia, o povo se corrompe. Mas o que guarda a lei, esse é feliz”. – Provérbios 29.18.


Permita-me sonhar. Não deveria a Igreja preparar homens e mulheres cheios do espírito e íntegros para atuarem nas várias esferas da política (educação, segurança, saúde)? Não deveríamos sonhar em ter um presidente piedoso do calibre de George Washington?


Como seria melhor se tivéssemos mais opções, mais nomes (cristãos íntegros) para atuarem como vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores! Bem melhor seria se o ensino da nossa escola bíblica, se os nossos cursos bíblicos de liderança, se as escolas cristãs, baseados nos princípios bíblicos, apresentassem à sociedade homens públicos que fossem também homens de Deus perfeitos e “perfeitamente habilitados para toda boa obra”.


Somos povo de Deus, Igreja, chamados para promover a glória do Senhor através da pregação da Palavra, discipulado, expansão do seu reino, santificação, boas obras e vidas exemplares. Isso inclui a nossa responsabilidade em cuidar desse planeta aflito como bons mordomos da multiforme graça de Deus.


Igreja Batista Horto do Ypê – edgardonato@terra.com.br









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