top of page

Envelhecer, o entardecer da vida...

Simone Beauvoir em seu livro “A Velhice” afirma: "Um homem não deveria chegar ao fim da vida com as mãos vazias, e solitário” (1990, p. 664). Eu particularmente não sou fã de Simone Beauvoir. Ela defende ideias que se chocam com princípios cristãos, mas não posso deixar de reconhecer que ela é uma grande intelectual. Contribuiu muitíssimo com suas reflexões acerca da existência humana e uma dessas contribuições está neste livro, onde ela trata a questão da velhice sob uma perspectiva filosófica, cultural, política e social.

 

Ela afirma que o envelhecimento é em primeiro lugar um processo fisiológico, e todos nós não temos dúvidas quanto a isso. O nosso corpo chega um momento da nossa vida que começa a dar sinais de limitações e não adianta querer lutar contra isso. Em Eclesiastes 12.2-7, o Espírito Santo de Deus, usando Salomão, descreve o avanço da velhice poeticamente, figurativamente comparando-o ao de uma casa decadente. 

 

Mas, Beauvoir afirma ainda que a velhice deve também ser entendida como um fenômeno psicológico ou existencial e é nesta dimensão que a maioria de nós é aprisionado. Quando a velhice nos arremete para uma fase onde a vida perde o sentido, onde a esperança desaparece, onde planos e objetivos desaparecem em meio a sentimentos de tristeza, solidão e para alguns, até de abandono.

 

Velhice! Esta é uma palavra que se não assusta, pela menos incomoda muita gente. Envelhecer não é um verbo fácil de conjugar. Acredito que a cultura ocidental contribua muito para essa visão distorcida que temos da velhice. Ser velho, ficar velho na nossa sociedade é sinônimo de dar trabalho, dar despesa, de ficar doente, de ficar “chato”, de estar caminhando para o fim, fim da vida… mas, o que significa envelhecer?

 

Na minha percepção significa adentrar a uma nova fase da vida. Assim como passamos por outras fases: de bebê para criança, de criança para adolescente, de adolescente para jovem, de jovem para a fase adulta, e celebramos cada uma dessas fases, passamos da fase adulta para a velhice. Por que não a celebramos? Porque encaramos as outras fases com entusiasmo e até com uma certa ansiedade (quantos não se lembra da ansiedade pelos tão sonhados 15, 18 ou 21 anos?) e a velhice com nostalgia e certa tristeza? Talvez porque, como eu disse acima, a velhice nos revela a proximidade do fim, de um ciclo onde aparentemente tudo termina, não há um próximo ciclo, pelo menos não aqui, neste mundo.

 

Para nós, filhos de Deus, a velhice não deve ser encarada dessa forma. A velhice não precisa e não deve ser uma fase de tristeza, de solidão, de dor e arrependimento. Se olharmos para a Palavra de Deus encontraremos promessas preciosas para a velhice “Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida". Salmos 92.14. Este Salmo nos mostra que podemos ter vigor e produzir durante a velhice. O Livro de Isaías nos dá uma promessa maravilhosa para encararmos a velhice com tranquilidade e confiança: “E, quando ficarem velhos, eu serei o mesmo Deus; cuidarei de vocês quando tiverem cabelos brancos"... Isaías 46.4. Oh, aleluia porque nosso Deus é o mesmo e Ele nunca muda! Vamos encarar a velhice como uma transição natural da vida.

 

Se for preciso fazer um balanço da vida, façamos. Se for preciso pedir perdão, vamos pedir! Não nos isolemos! Não nos permitamos ficar “rabugentos”; ao invés de reclamar, vamos agradecer! Não deixemos de dar frutos, de abençoar outros com nossas experiências de vida e fé. A morte é certa, todos passaremos por ela, a diferença é como nos preparamos para enfrentá-la. A fase que nos espera após a velhice é a morte, isto é fato! mas, para nós, servos de Deus, a morte não significa o fim, significa uma nova vida, a eternidade com Cristo, e lá as promessas de Deus para nós continuam: “Então Jesus afirmou: - Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;” João 11.25.

_________________________________________________________

Autora: Maria Genaina de Almeida Ribeiro Reder.

Serva de Jesus Cristo servindo na comunidade da Igreja Batista em Jardim Paulista - Guarulhos SP.

Professora aposentada. Esposa e Mãe de um casal de filhos.

 

 

Comments


bottom of page