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Infância – a poesia e a dura realidade

A infância é poética


O poeta brasileiro Casimiro de Abreu (1839-1860) escreveu o poema “Meus oito anos”, um clássico da nossa literatura, que retrata sentimentos de um tempo distante e feliz da meninice. É uma poesia muito bonita e que assim se inicia:


Oh! Que saudades que tenho


Da aurora da minha vida,


Da minha infância querida


Que os anos não trazem mais!


Até que ponto, de fato, estas palavras tão lindas expressam a realidade da infância? Seria a infância apenas um tema para ser cantado pelos poetas? Pode até ser que, para alguns, a infância tenha sido um tempo agradável, de delícias infindas e que deixou na memória gratas recordações. No entanto, para muitos a realidade foi muito diferente. Olhe ao seu redor e, sem muito esforço, vai constatar que a experiência individual de uma criança é dura, solitária, sofrida, marcada pela indiferença e pela incompreensão. Há falta desta excelência cantada muito bem por Casimiro de Abreu. Pense em sua própria infância.


Em todas as camadas sociais, da mais miserável até o topo das classes multimilionárias, as crianças experimentam algum tipo de abuso e de abandono. Vivemos em uma sociedade que é tão contra as crianças, que esmaga diariamente milhares de crianças em formação, ainda no ventre materno. A indústria do aborto é uma realidade assustadora. Este é só um exemplo trágico, ligado à infância.


A dura realidade das crianças no tempo do profeta jeremias


O profeta Jeremias registrou, no livro de Lamentações, todo o seu choro de tristeza e de lamento. O livro retrata com traços muito fortes a tristeza do seu coração de servo de Deus, vendo a destruição da cidade amada, Jerusalém. A cidade incendiada e o povo sendo levado cativo formavam um quadro de humilhação e de desesperança. Jeremias mostra também as crianças nesta caminhada desoladora.


As lamentações de Jeremias são impactantes e retratam um momento de horror na história do povo de Israel, quando levado para o cativeiro na Babilônia. Que tribulação angustiante! O profeta descreve a cena assustadora das crianças caminhando famintas, gritando por um pedaço de pão, e ele declara: “Com lágrimas se consumiram os meus olhos, turbada está a minha alma, e o meu coração se derramou de angústia por causa da calamidade da filha do meu povo; pois desfalecem de fome os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade” (Lamentações 2.11).


O registro feito por Jeremias descrevendo a fome das crianças é de cortar o coração: “Dizem às mães: Onde há pão e vinho?, quando desfalecem como o ferido pelas ruas da cidade ou quando exalam a alma nos braços de sua mãe” (Lamentações 2.12) e ainda: “A língua da criança que mama fica pegada pela sede, ao céu da boca; os meninos pedem pão, e ninguém há que lho dê” (Lamentações 4.4).


E não conheço nada mais dramático do que a lamentação registrada no capítulo 4, versos 9 e 10: “Mais felizes foram as vítimas da espada do que as vítimas da fome; porque estas se definham atingidas mortalmente pela falta do produto dos campos. As mãos das mulheres, outrora compassivas, cozeram os seus próprios filhos; estes lhes serviram de alimento na destruição da filha do meu povo.”


A dura realidade das crianças em nosso tempo


Haveria alguma similaridade entre a época do profeta Jeremias e a nossa? Quem ouve o grito das crianças?


– Das crianças que passam fome em muitas nações da terra, sendo que em algumas delas é espantoso o número de meninos e meninas literalmente miseráveis.


– Das crianças que estão nos campos de refugiados, vivendo na insegurança e na escassez de tudo, muitas vezes sem entender a razão de tal situação.


– Das crianças que estão nas periferias das imensas e congestionadas cidades, onde tantos pequenos sobrevivem catando comida nos lixões.


– Das crianças que são abusadas verbalmente, tratadas aos gritos sem a mínima consideração; das crianças que são abusadas fisicamente, tratadas com violência, que só fazem aumentar nos hospitais as estatísticas de crianças vítimas de maus tratos corporais; das crianças que são abusadas sexualmente e que perdem completamente a confiança nas pessoas, pois aqueles que deveriam respeitá-las e protegê-las se aproveitam delas para satisfazerem seus desejos torpes e corrompidos.


– Das crianças abandonadas, talvez dentro de casa, que não conseguem nem um pouquinho de atenção, de afeto, de consideração, de calor humano; que não encontram quem por elas se interesse, ou com quem possam conversar e contar suas preocupações, anseios e descobertas.


– Das crianças que sofrem com terríveis pesadelos durante a noite, por terem durante o dia todo enchido as suas mentes com jogos violentos, desenhos e filmes, nos quais as ideias satânicas são introduzidas com naturalidade e com força.


– Das crianças que anseiam por saber o porquê de todas as coisas. Porém, em vez de serem conduzidas ao encantamento de descobrir o maravilhoso universo da criação, com a terra e o oceano povoados por milhões de espécies animais e vegetais; ou com as galáxias e seus bilhões de estrelas, são conduzidas ao mundo da tecnologia e têm pouquíssimo contato com a criação de Deus. E, para piorar, são ensinadas que tudo se estabeleceu devido a um processo desconhecido de evolução, por sinal nada científico.


– Das crianças que estão abandonadas, sob o peso esmagador da culpa do pecado, e que não têm quem lhes apresente o amoroso Salvador Jesus, que deu a vida para libertá-las e dar-lhes a esperança de um futuro eterno de bem-aventurança.


– Das crianças que estão famintas espiritualmente, mas que não têm a oportunidade de se alimentar do Pão Vivo que desceu do céu, mas ficam enredadas nas malhas das seitas e das religiões. Alguns estão levando pão material. Faltam cristãos que levem o pão espiritual também.


Não! Não dá para olhar o tempo de infância com o mesmo olhar do poeta. A realidade é tão dolorosa que B. Carlson afirmou com muita propriedade: “A história da humanidade é um verdadeiro pesadelo se escrita do ponto de vista da criança”.


Oremos pelas crianças


Este foi o desafio do profeta Jeremias: “Levante-se e clame de noite, no princípio das vigílias. Derrame, como água, o coração diante do Senhor; levante a ele as mãos, pela vida de seus filhinhos, que desfalecem de fome nas esquinas de todas as ruas” (Lamentações 2.19). Desafie um grupo de crentes para se reunir, pelo menos uma vez por semana, para interceder pelas crianças de suas famílias, igrejas, bairros e cidades.


Finalizo deixando esta poesia como desafio para oração confiante e esperançosa:


Vamos, servos do Senhor, esta é hora!


As crianças alcancemos pra Jesus!


O Evangelho anunciemos, sem demora!


Brilhe nesta escuridão a nossa luz!


As crianças para Deus – esta é nossa missão!


Norte, sul, leste, oeste em cada estado,


Uniremos nossas mãos em oração


Pra Jesus, entre as crianças, ser pregado!


Há investimento forte do inimigo,


Para dominar a mente das crianças;


Esta nova geração corre perigo,


O pecado tudo estraga e o mal avança.


As crianças para Deus – esta é nossa missão!


Norte, sul, leste, oeste em cada estado,


Uniremos nossas mãos em oração


Pra Jesus, entre as crianças, ser pregado!


E os meninos e as meninas alcançados


Ficarão alicerçados na verdade,


Serão homens e mulheres consagrados,


Uma bênção para toda a humanidade.


As crianças para Deus – esta é nossa missão!


Norte, sul, leste, oeste em cada estado,


Uniremos nossas mãos em oração


Pra Jesus, entre as crianças, ser pregado!


Esta poesia foi musicada. Se desejar receber a música solicite pelo E-mail: gilceleti@gmail.com


Que o Senhor desperte e capacite as igrejas cristãs para esta missão: AS CRIANÇAS PARA DEUS! E que os cristãos em geral, e os pais, de maneira especial, se empenhem para que Jesus seja proclamado para as crianças!


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Gilberto Celeti Servindo a Deus na APEC/Brasil desde dezembro de 1973








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