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Inocência Moral e Doença Intelectual

Como consequência do pecado original todos nós herdamos uma natureza pecaminosa e, por isso, vamos pecar (Salmo 51.5; Efésios 2.3; Salmo 58.3). Mas temos base para crer que as crianças, enquanto na inocência moral e as pessoas com doença intelectual, estão salvas por serem isentas de pecados pessoais, por não discernirem entre o certo e o errado, entre o bem e o mal (Isaias 7.15; Deuteronômio 1.39). O que não há como saber é a duração da idade da inocência moral, que não se mede pela idade, mas pelo discernimento variando de criança para criança.


A depravação herdada por causa do pecado de Adão, pelo qual Cristo pagou, não é suficiente para condenar ao inferno os inocentes morais e doentes intelectuais que não cometeram pecados pessoais (2 Tessalonicenses 2.9-12). Em Romanos 5.12-19 fica claro que a consequência do pecado de Adão para a humanidade, tem a ver com a imputação, a herança dessa natureza pecaminosa que resulta na morte. Do mesmo modo, o texto mostra que a expiação efetuada por Cristo anulou a imputação da condenação de Adão para toda a humanidade. Ou seja, o segundo Adão, que é Cristo, anulou a morte eterna para toda a humanidade que, mesmo herdando a natureza pecaminosa que levará a pecar, não poderão dizer que foram condenados por causa do pecado do primeiro Adão. Esta provisão também foi feita para as pessoas com doenças intelectuais que jamais saberão discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado.


Assim, as crianças na inocência que morrem sem pecados pessoais e também os incapazes de discernir o que seja pecado, vão para o céu pelo fato de ter Cristo cancelado na cruz a escrita de dívida pelo pecado original e pelos pecados de cada um, quando percebido e confessados (Colossenses 2.14; 1 Coríntios 15.45-49). Aqui cabe a citação do caso do filho de Davi que morreu antes de cometer pecados pessoais e foi para o céu (2 Samuel 12.23), pois ninguém tem dúvidas de que o “homem segundo o coração de Deus” tenha ido para o céu (Salmo 16.10-11; Hebreus 11.32). A salvação de todas as crianças inocentes e dos doentes intelectuais que morrem sem terem cometido pecados pessoais, está em conformidade com o amor e com a justiça de Deus.


Por inferência e aplicação, a fim de reforçar a doutrina da justificação e da expiação ilimitada podemos citar, ainda, Romanos 5.18-19 e João 1:29, onde vemos a remoção das implicações do pecado original que foi imediatamente imputado a toda a humanidade quando Adão pecou. Da mesma forma, o sacrifício de Cristo é a provisão para todos.


O que acontece às crianças quando morrem antes da consciência moral? A resposta é que vão para o céu, pois “dos tais é o reino de Deus" (Lucas 18.15-17). Ou seja, o efeito da imputação do pecado é anulado pelo efeito da expiação do pecado.


A evidência de que a criança, desde o nascimento, herdou as consequências do pecado, a natureza pecaminosa, e que precisa de salvação, é o fato de morrer fisicamente, ainda na inocência. Isso ocorre como consequência do pecado de Adão. Se a criança não fosse afetada pelo pecado original não morreria fisicamente e não precisaria de salvação. Mas a graça de Deus resolveu a situação da morte espiritual e eterna da criança e do doente intelectual, pela morte de Cristo como provisão para toda a humanidade.


Resumindo: As crianças vão para o céu se morrerem antes de cometerem pecados pessoais. As crianças nascem com uma natureza pecaminosa (Salmo 51.5), mas enquanto não são capazes de prestar contas de seus atos pessoais (Isaias 7.16), pois não cometeram pecados pessoais e nem rejeitaram o evangelho e a Cristo, são salvas pela morte de Cristo (Romanos 5.17-21). Estão expiadas e serão levadas para o céu (Salmo 23.6; 2 Samuel 12.23).


A Bíblia afirma que a criança é gerada em pecado devido ao pecado de Adão. Mas ela já teve, como toda a humanidade, até pecar, seu pecado imputado na Cruz. Portanto até pecar conscientemente, não irá para o inferno.


Levando em conta todos os versículos que falam da graça, misericórdia, justiça, amor e bondade de Deus, bem como da morte expiatória de Cristo como provisão para anular e salvar toda a humanidade, a inferência é que, sem dúvida alguma, as crianças que morrem sem discernir entre o bem e o mal, ou entre o certo e errado irão para o céu. O mesmo princípio se aplica aos doentes intelectuais que morrerão sem nunca terem tido discernimento.


Por mais que este tema seja polêmico, devido às crenças calvinistas, dando margem para muitas especulações, nós preferimos fundamentar-nos em textos claros dos quais podemos inferir, com tranquilidade, que os que morrem antes de possuírem consciência moral ou percepção intelectual, irão para o céu.


Esta posição defendida por nós, também é aceita por muitos outros estudiosos da Palavra de Deus, de posição ortodoxa e conservadora.


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Pr. Valter R. Nogueira e Pr. Carlos A. Moraes

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