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Nossos filhos e a tecnologia

Temos vivido a era dos influencers. Este é um fenômeno relativamente novo, surgido por volta do ano de 2010, quando os vídeos do YouTube se tornaram mais populares. Com eles apareceram os influencers, ou seja, os influenciadores, que é um formador de opiniões. Por meio de suas postagens nas redes sociais, ele é capaz de despertar diversas sensações, comportamentos e pensamentos em sua audiência. A Revista Exame publicou uma matéria em abril de 2022(¹), onde afirma que mais de 70% dos brasileiros afirmam seguir algum influenciador digital nas Redes Sociais, a maioria deles, jovens. Não bastassem esses jovens terem suas mentes e corações tragados, capturados pelos princípios (ou falta deles) desses influenciadores, eles querem para eles o mesmo estilo de vida, o mesmo glamour, os mesmos holofotes, sucesso e fama, além é claro, ganhar muito dinheiro sendo influencers como seus ídolos. O público alcançado pelos influenciadores digitais são os conhecidos como geração Z e geração Alfa, o primeiro grupo nascido entre os anos de 1996 a 2010 e o segundo nascidos depois de 2010. Também chamados de nativos digitais, quem nasceu na geração Z tem uma íntima relação com o mundo digital, com a internet e com a informática. São pessoas que cresceram jogando videogames, que acompanharam de perto as inovações tecnológicas e que gostam de consumir essas inovações quando possível. A geração Alfa são crianças que já nasceram conectadas, vivem rodeadas por tecnologia e são estimuladas pelo mundo digital todo o tempo. Por que estou falando sobre isso? Porque nós, pais cristãos que pertencemos às gerações anteriores ao boom da tecnologia, temos assistidos passivamente nossos filhos serem consumidos por esses influenciadores e pela internet. A maioria de nós se sente impotente, incapaz, sem saber como agir. Especialmente aqueles pais que são "analfabetos tecnológicos". Diante desta realidade, o que fazer? Precisamos reconhecer que o inimigo de nossas almas é muito esperto, ou pelo menos, pensa que é. Precisamos entender que estamos em guerra e que não é possível partir para uma guerra sem uma estratégia. O inimigo já estabeleceu a estratégia dele e não estou dizendo aqui que a tecnologia é coisa do demônio. Como tudo na vida, ela pode ser usado para o bem ou para o mal. A tecnologia tem o seu lugar e pode ser muito útil, mas o inimigo usa ela para cooptar nossos jovens e adolescentes. Ledo engano pensar que vamos controlar o acesso dos nossos filhos à tecnologia. As escolas hoje usam a tecnologia de forma intensa no trabalho escolar. A vida moderna se move pela tecnologia. A Alexa já está presente em muitos lares (quem sabe o que é e o que faz a Alexa, podemos falar sobre isso em outra oportunidade). Os Smartphones são companhias inseparáveis da grande maioria das pessoas hoje, muitos não os larga se quer na hora das refeições ou de ir para a cama. Micro-ondas, máquinas de lavar louça, lavar roupa, dentre outros, são aparelhos ligados à tecnologia, presentes em nossos lares e que muitos não conseguem prescindir mais deles. Diante desse quadro, como proteger nossos filhos dos efeitos nocivo da internet e especialmente, de serem capturados pelos influenciadores digitais? Eu diria que em primeiro lugar, os pais que não gostam da tecnologia, com dificuldade para se conectar, mas têm filhos nessas idades, precisam se esforçar para aprender minimamente a lidar com a tecnologia. Façam um curso de como usar as Redes Sociais, de como navegar na internet. Precisamos conhecer o inimigo contra o qual estamos lutando. Em segundo lugar, eu diria que devemos retardar ao máximo a exposição das crianças à tecnologia. Criança não precisa de celular, nem para jogar, para brincar. Alguns profissionais, como Pediatras e Psicólogos, recomendam que uma criança tenha acesso ao celular a partir dos 10 a 13 anos, se for necessário manter alguma comunicação com a criança, quando os pais trabalham fora, quando a criança precisa ir ou voltar sozinha da escola. Mas atenção, faça a lição de casa antes do momento de seu filho ter um celular nas mãos: discipule seu filho, pregue o Evangelho de Cristo para seu filho desde a mais tenra idade, pastorei o coração dele antes de ele ter acesso à tecnologia, seja a maior e principal influência de seu filho na primeira infância, que vai até os 6 anos. Quando ele atingir a segunda fase que compreende a puberdade, entre 8 e 13 anos, ele precisa estar com sua mente e coração saturados da Palavra de Deus, com uma compreensão inequívoca de pecado e precisa enxergar em você um amigo(a), pois é nesta hora que ele será bombardeado, será tentado, será desafiado em sua fé e convicções. Em terceiro lugar, recomendo que se tiver que entregar um celular na mão do seu filho(a) faça isso com restrições. Use um aplicativo de controle parental. São aplicativos desenvolvidos especialmente para monitorar e restringir o uso do celular que ficará com a criança. Com eles, os responsáveis podem saber há quanto tempo o menor está diante da tela, rastrear a localização, evitar acesso a sites adultos e ainda bloquear compras em aplicativos, entre outros. Você só vai conseguir fazer isso, se tiver aprendido a usar a internet a seu favor. Se tiver dificuldade, peça ajuda, faça um curso, lembre-se que é a mente e o coração de seu filho(a) em jogo. Não se dê descanso nesta guerra. O inimigo é implacável. Educar dá trabalho. E para nós, pais cristãos, comprometidos em educar nossos filhos(as) para glória de Deus, temos uma responsabilidade maior. Que o Senhor nos ajude, nos capacite nesta guerra e que nós possamos nos lembrar que temos a promessa de que Ele (Jesus) estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Não tenhamos a pretensão de encarar este desafio na força do nosso braço. Nós dependemos do Espírito Santo de Deus nesta jornada.


([1]) Disponível em https://exame.com/invest/minhas-financas/viagens-festas-luxo-jovens-enriquecendo-internet_red-01/, capturado em 01/08/2023

Autora: Maria Genaina de A R Reder.

Casada. Mãe de um casal de filhos (25 e 18 anos).

Congregando na Igreja Batista do Jardim Paulista, Guarulhos/SP.

Servindo na área do ensino. Professora aposentada.



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