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O cristão e o estado

A relação dos cristãos com o estado de direito a que pertencem como membros de uma nação tem recebido mais ou menos interesse por parte dos salvos de acordo com a época em que viveram. No século passado duas grandes guerras colocaram os cristãos frente a governos que exigiram deles um posicionamento firme quanto a sua relação com o Estado. Após a segunda grande guerra o estabelecimento de um bloco de países comunistas exigiu dos cristãos que viviam nestes países que discernissem até que ponto deveriam ser obedientes a seus governantes. Nos últimos anos, especialmente na América latina, o estabelecimento de governos que advogam os princípios socialistas novamente lançou diante dos salvos em Cristo a necessidade de entendimento quanto a seu papel para com o Estado. Em todos estes casos o povo de Deus foi levado a voltar seus olhos para um texto específico das sagradas Escrituras, o capítulo 13 da epístola de Paulo aos salvos em Roma. Os princípios estabelecidos neste texto são valiosos quanto ao posicionamento que se espera dos salvos para com o Estado, e faremos bem em reconhece-los.


Primeiramente, é de grande importância que o salvo em Cristo reconheça que a existência de autoridades governamentais não é uma invenção humana, mas uma ordenação de parte do próprio Deus, como nos revela o verso 1 “TODA a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Romanos 13.1). Desta forma Deus revela que é sua vontade que governo, lei e ordem sejam estabelecidos entre as nações. Entendamos, porém, que isto não significa que todo governante, em especial os maus governantes, foram colocados em uma posição de autoridade pela vontade diretiva de Deus, como também que as variadas formas de governo como monarquia, parlamentarismo, presidencialismo ou qualquer outro não foram conceitos estabelecidos por Deus, mas pelos homens. Deus apenas nos diz que deve haver autoridades constituídas e reconhecidas a fim de estabelecer a lei e a ordem, são os próprios cidadãos de uma nação que devem escolher entre as formas de governo assim como quem entre eles exercerá essa autoridade.


Dentro deste contexto, o capítulo 13 da epístola aos romanos também estabelece a função do Estado como entidade ordenada por Deus, como revelado nos versos 3 e 4 “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer à autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz em vão a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal”. Paulo nos diz que, ao ordenar as autoridades constituídas, Deus estabelece que o Estado deve servir de barreira a manifestação do pecado, contendo o ímpeto dos homens maus e os castigando quando necessário. Por outro lado, é dever do Estado louvar seus bons cidadãos no cumprimento do dever, zelando pelo bem-estar destes, como Paulo escreve a Timóteo “ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2.1,2). Louvar aqueles que promovem uma vida moralmente boa, cumpridora das leis e da ordem, é um dever do Estado.


Tal verdade nos leva a uma séria consideração. Caso as autoridades constituídas não cumpram o papel estabelecido por Deus, qual deve ser a atitude dos salvos em Cristo? Há aqueles que consideram que o cristão deve se submeter ao Estado mesmo diante da impiedade deste, nada fazendo com vistas a mudar a forma de governo estabelecida, tomando por base o ensino do apóstolo Pedro “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus” (1 Pedro 2.18 a 20). É importante reconhecer que foi o próprio Deus que estabeleceu o governo, a lei e a ordem, e que estas questões devem ser mantidas por seus servos. Portanto, é lícito que o cristão se utilize dos meios legítimos previstos em lei a fim de mudar a natureza de seu governo, sejam as eleições, o parlamento e os órgãos de defesa da constituição. O cristão pode e deve se utilizar da forma legitimamente reconhecida na lei a fim de modificar a condução do Estado, porém, quando um Estado assume a forma de tirania, desobedecendo a lei de Deus, o que deve um cristão fazer? A primeira coisa a fazer é julgar a questão tendo por base Romanos 13.1 a 7. O governo em questão está cumprindo sua tarefa divina, restringindo a manifestação do mal? Se sim, mesmo que discordemos de alguns posicionamentos do governo em questão, se ele está agindo dentro da lei, quer concordemos ou não, não é lícito que nos levantemos em rebelião contra o governo. Se, porém, o governo em questão assume uma posição autoritária e déspota, o que o cristão deve fazer? Pensemos em algumas hipóteses. Se um homem ímpio invadir nossa igreja disposto a nos fazer mal, não há nenhum princípio bíblico que nos impeça de defender nossa família e irmãos utilizando-se da força, se necessária até mesmo letal. Da mesma forma, se um outro país ameaçar nosso país por meio da força, é igualmente lícito que um cristão tome em armas a fim de defender os seus. Porém reconheçamos que estes são exemplos de casos extremos, onde as questões legais se esgotaram e a ameaça a vida de nossos entes queridos se tornou real, e que não é esta a condição de nossa nação hoje.


Os dias que vivemos em nosso país requerem que novamente nossos olhos sejam levados a considerar com atenção o ensino de Romanos 13 a fim de que nos mantenhamos dentro da vontade revelada de Deus.


Acesse a página do Templo Batista Maranata – Goiânia no YouTube e ouça a série de sermões “O CRISTÃO E O ESTADO”


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Pr. Fabiano F. Almeida

Templo Batista Maranata em Goiânia GO








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