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Para que serve o templo da tribulação?

“Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis”. (Jo 5.43 ACF)


A Bíblia ensina que, na história do povo de Israel, dois templo foram construídos e ambos fizeram parte do plano redentivo de Deus para Israel. O primeiro foi o de Salomão, e durou 410 anos até sua destruição por Nabucodonosor no ano 586 a.C. A destruição templo e da cidade de Jerusalém, resultou na morte de milhares de judeus, e os sobreviventes foram levados cativos para a Babilônia em três deportações (Jr 52.28-30).


O Segundo Templo foi construído depois da conquista da Babilônia pelo rei Ciro da Pérsia. A política mudou e, através de um decreto em 539 a.C., ele autorizou a volta dos judeus à terra de Israel (Ed 1.2-5). Pela liderança de Zorobabel e com o apoio dos profetas Ageu e Zacarias, o templo foi reconstruído. A dedicação foi em 516 a.C., e durou até o ano 70 d.C., quando foi destruído pelo general romano, Tito, que viria a ser o próximo Imperador.


Há muitas indicações na Bíblia de que haverá um templo que ainda hoje não existe, mas será construído no futuro. Neste momento, a construção desse templo, que a ortodoxia judaica denomina de terceiro templo é assunto que está na pauta de judeus ortodoxos e até para muitos cristãos. De acordo com referências bíblicas, como Dn 9.27; Mt 24.15; 2Ts 2.4; Ap 11.1-2, haverá um templo em Jerusalém, durante o período da tribulação.


O que fica claro para nós dispensacionalistas, é que esse templo que estará existindo no período da tribulação, durará pouco tempo, e poderá até ser construído sob a tutela do próprio anticristo que entrará em aliança com Israel logo após o arrebatamento da Igreja. Há quem acredite que a construção desse templo possa até ser iniciada antes do arrebatamento, e concluído dentro da tribulação. Fato é que, diante dos avanços tecnológicos da atualidade, uma grande obra de construção pode ser erguida em curto espaço de tempo.


Falando sobre esse templo da tribulação, o Pr. Alexandre Dutra, em artigo publicado no Gospel Prime em 31/07/2020, sob o título, “O terceiro templo em Jerusalém”, diz:

“Desde a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C., a reconstrução do templo judaico não é só o desejo, é a oração como o dever de judeus conservadores, ortodoxos e nacionalistas. Várias tentativas foram feitas ao longo dos séculos, mas todas em vão.

O grande filósofo medieval Maimônides, em seu Código de Lei Judaica, argumentou que toda geração de judeus seria obrigada a reconstruí-lo se: o local do antigo templo fosse retomado; se um líder descendente de Davi pudesse ser encontrado e se os inimigos de Jerusalém fossem destruídos. O Instituto do Templo e outras organizações judaicas têm trabalhado para isso.

Entretanto, surge a pergunta: por que o povo judeu deveria reconstruir o templo? Para a realização de um sonho nacional do povo judeu; e porque seria o ponto de encontro para a herança religiosa e cultural da nação em termos práticos.

Com a independência de Israel (1948) e a conquista de Jerusalém (1967), o sonho de se reconstruir o templo judaico passou a ser vislumbrado por uma parcela de judeus entusiastas. Com a conquista de Jerusalém, o rabino Shlomo Goren, líder dos Fiéis do Monte do Templo, declarou:

‘Tomamos a cidade de Deus. Estamos entrando na era messiânica para o povo judeu, e prometo ao mundo cristão que pelo que somos responsáveis, cuidaremos; logo esse entusiasmo pela reconstrução do templo seria frustrado pelo governo de Israel”.


O pessoal ligado ao “Instituto do Templo” em Jerusalém já fez vários projetos relacionados à construção, e tem muitos colaboradores, de várias partes do mundo financiando esse empreendimento, inclusive cristãos.


No mesmo artigo já citado do Pr. Alexandre Dutra, falando sobre a escatologia judaica, diz: “as profecias do futuro templo tornaram-se a bandeira e o arauto para os habitantes cansados ​​da guerra e em busca da paz. Dentro desta visão considera-se Jerusalém como o centro espiritual e fonte de luz e inspiração para toda a humanidade, para tanto se apoiam no que declarou o profeta Ageu: ‘A glória desta última casa será maior que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei paz, diz o Senhor dos Exércitos’ (Ag.2.9).


Esta tem sido a interpretação rabínica e a expectativa profética dos judeus entusiastas do templo. E o tempo escatológico é agora, como declarou o Rabino Yisrael Ariel: ‘Que o Templo seja reconstruído rapidamente, em nossos dias!’.


Para os intérpretes judeus, os profetas contemplaram o fundamento do estado moderno de Israel e as vitórias milagrosas que Deus deu ao povo de Israel contra seus inimigos; a reunião do povo de Israel de todo o mundo na Terra Prometida; a libertação e consagração do Monte do Templo e a construção do Terceiro Templo.

O passo final visto pelos profetas é a vinda do rei de Israel, o Messias: ‘Jerusalém é a luz do mundo … e quem é a luz de Jerusalém? O Santo, bendito seja Ele’ (Bereshit Rabbah 59.8)”.


Devemos atentar para o seguinte fato, para quando Deus voltar a tratar com Israel após o arrebatamento da Igreja: Nada voltará a ser como era na Antiga Aliança. O que foi feito pelo “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não pode ser revogado para trazer de volta os sacrifícios que nunca tiraram o pecado de alguém (Hb 10.4-14)”.


A política do atual Israel hoje é ideologicamente liberal e totalmente incrédula em relação a Cristo. O movimento sionista é uma ideologia que político-religiosa centralizado na construção de um templo em Israel que alimenta a cegueira e incredulidade do povo que não reconhece Jesus como o Messias e quer restaurar os sacrifícios da Antiga Aliança com o sacerdócio levítico.


Sobre esse templo, a ser construído em Jerusalém, é dito que o Anticristo profanará o santuário e fará cessar o sacrifício contínuo e, a partir desse evento, terá início a segunda parte da tribulação, que são os últimos três anos e meio, ou mil duzentos e noventa dias (Dn12.11).


Tudo indica que esse templo da tribulação, denominado por alguns como templo do anticristo, nada tem a ver com o que Deus fará pela redenção de Israel, pois eles começarão a ser perseguidos após a revelação do anticristo que se apresentará como Deus. Portanto, nada justifica ações de cristãos evangélicos apoiando a construção de um templo que servirá para um retorno ao passado pisando o sacrifício de Cristo. Esse Templo será destruído na Segunda Vinda de Jesus pelo grande terremoto que mudará radicalmente a topografia de Jerusalém e de toda a terra (Ap 6.12-17).


Temos visto tanto apoio à religiosidade judaica que caminha para afrontar ao sacrifício de Cristo levando a cabo uma religiosidade que foi abolida pelo próprio Deus quando, na morte de Cristo, o véu se rasgou de alto a baixo no templo (Mt 27.51). O que somos mandados fazer é pregar o evangelho a todos, sem qualquer distinção, até o arrebatamento, pois na atual dispensação não há “judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” Gl 3.28).


Sim, como cristão somos ensinados a orar pela paz de Jerusalém e devemos fazê-lo. Mas devemos fazê-lo conscientes de que isso se cumprirá no Milênio. Por isso, também oramos, “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10), o que ocorrerá, também, no Milênio.

O TEMPLO PROFETIZADO POR EZEQUIEL

Ezequiel era da linhagem sacerdotal (Ez 1.3), mas serviu como profeta de Deus. Nos capítulos 40 a 48 do seu livro, ele tem uma visão detalhada de um grande e glorioso templo para o futuro de Israel. É bom lembrar que Ezequiel começou seu ministério profético antes que Jerusalém e o templo fossem destruídos pela Babilônia em 586 a.C. Mesmo no exílio, Ezequiel encorajava Israel dizendo que o julgamento não duraria para sempre, mas que Deus restauraria Israel e mais uma vez viveria entre eles.


Quero fazer um resumo para sintonizar o texto no contexto profético. Em Ezequiel 37, ele relata a visão do “Vale dos Ossos Secos”, descrevendo a reanimação de um Israel morto. Em seguida, nos capítulos 38 e 39, ele prevê uma batalha com Gogue e Magogue, na qual os inimigos de Israel serão derrotados. Nos capítulos 40 a 48, vivendo à época, o vigésimo quinto ano do cativeiro da nação, Ezequiel descreve o novo templo com o retorno da glória de Deus. Mostra que os sacrifícios são retomados e a terra é restaurada ao povo de Israel. Mas tem um detalhe importante: o coração das pessoas será mudado (Ez 36.26-27) e os gentios terão lugar nesse reino restaurado (Ez 47.22), e a terra será governada por um descendente de Davi (Ez 44.3 e 37.24-25; 34.23-24).


Na visão, Ezequiel vê uma montanha e uma cidade. É recebido por “um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linho na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta” (Ez 40.3). Esse personagem diz a Ezequiel para prestar muita atenção a tudo o que vê e ouve e relatar todos os detalhes ao povo de Deus (Ez 40.4). A minuciosa medição do templo se estende pelos três capítulos seguintes.


PARA QUANDO SERÁ ESSE TEMPLO?

A questão principal aqui é esta: para quando será esse templo profetizado por Ezequiel? Como dispensacionalistas, cremos que este templo, literalmente falando, cabe apenas dentro da dispensação do Milênio, pois as suas dimensões são muito maiores do que o templo dos dias de Jesus.

No Milênio, os santos glorificados da atual dispensação da Igreja, estarão presentes. Portanto, haverá certa convivência entre salvos glorificados e salvos com corpos naturais, além da presença de perdidos que nascerão naquele período. Nem todos esses que nascerem no Milênio se converterão, pois no final do Milênio, quando Satanás for solto, haverá uma rebelião final.


Quanto ao sistema sacrificial descrito em Ezequiel nada tem a ver com o perdão dos pecados, pois Cristo já cumpriu isso de uma vez por todas (Hb 10.1-4, 11-14). No Milênio os sacrifícios e todo cerimonial serão apenas memoriais sobre a morte de Cristo. Mais ou menos como os memoriais que temos na dispensação da Igreja: o batismo e a ceia do Senhor.


Essa visão do templo pelo Profeta Ezequiel atesta o fato de que Deus não abandonou Israel. Portanto, mesmo em rebeldia e em graves pecados na atual dispensação, não devemos duvidar que as promessas de Deus em relação ao povo de Israel serão cumpridas. Por isso continuamos orando pela paz de Jerusalém.


CONCLUSÃO

Ainda que seja salutar a aproximação entre judeus e cristãos na atual dispensação, também é salutar a relação com os muçulmanos, como com todas as nações. Mas a ideia de construção de um Templo, nos moldes da Antiga Aliança, é um completo nonsense da parte de cristãos.


Termino com a fala do apóstolo Paulo:

Não quero que ignoreis, irmãos, este mistério, para que não vos tenhais na conta de sábios: o endurecimento atingiu uma parte de Israel até que chegue a plenitude dos gentios, e assim todo Israel será salvo, conforme está escrito: ‘De Sião virá o libertador e afastará as impiedades de Jacó, e esta será minha aliança com eles, quando eu tirar seus pecados’. Quanto ao Evangelho, eles são inimigos por vossa causa; mas quanto à Eleição, eles são amados, por causa de seus pais” (Rm 11. 25-28).

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