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Pensamentos sobre a Igreja – Parte II

Na primeira parte deste artigo, publicada na edição anterior, afirmei que fazer parte da igreja de Cristo não é uma opção para aqueles que receberam Jesus como salvador e senhor, uma vez que essa participação é essencial à vida Cristã. Eu ou você, individualmente, não somos Igreja, pois ela é o Corpo de Cristo formado pelo conjunto de membros, a reunião de pessoas que professam fé em Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Porém, a Igreja de Jesus não pode ser confundida com uma construção física, um prédio que muitos denominam equivocadamente de templo, pois a reunião dos seus membros como Igreja, pode acontecer em qualquer lugar lícito e adequado. É bem verdade que edificar um prédio próprio, desde que possível e dentro dos projetos da Igreja, é muito positivo, pois propicia melhor organização das suas atividades regulares.


Identificar o prédio onde se reúne a Igreja como o “Templo de Deus” é equivocado por duas razões: A primeira porque a definição bíblica para o “Templo de Deus” (onde Deus habita) não se aplica a prédio, na medida em que “o Altíssimo não habita em casas feitas por homens” (Atos 7: 48) e “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra e não habita em santuários feitos por mãos humanas” (Atos 17: 24). A segunda razão é porque o entendimento de que o prédio (“templo”) é o lugar onde Deus está, pode levar o Cristão desavisado ou erradamente instruído, a ter comportamentos diferentes, ou seja, um comportamento mais “espiritualizado” dentro do local (“templo”) onde a Igreja se reúne, por entender que ali ele está na presença de Deus, e um comportamento menos espiritual, às vezes carnal, fora daquele local denominado de “templo”. O Apóstolo Paulo tratando a respeito dos problemas existentes na Igreja em Corinto, exorta “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de vocês mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo”. Sendo assim, Jesus não está esperando a Igreja se reunir para se fazer presente no “templo”, pois Ele, na pessoa do Espirito Santo, já habita em todo aquele que confessa sua fé em Jesus como Salvador e Senhor de sua vida, de modo que se estivermos preenchidos pelo Espírito Santo não deverá existir diferenças entre as atitudes e comportamentos dentro e fora da reunião da Igreja, pois não haverá essa dualidade na vida cristã.


Mas o que é ser preenchido pelo Espírito Santo? Uma analogia simples (entre a casa onde moramos, e nossa vida como habitação de Jesus na pessoa do Espírito Santo) pode nos ajudar a entender: “Eu posso convidá-lo para visitar minha casa com limitações de acesso, permitindo-lhe ficar somente nos cômodos que estão apresentáveis (…). Em outras palavras, você é bem-vindo para vir até minha casa, mas não é livre para ficar à vontade, para circular, para olhar ou ir aonde quiser. O mesmo pode ser verdade em um sentido espiritual. Nós podemos convidar Jesus na pessoa do Espírito Santo para entrar em nossas vidas, mas, depois dizer a Ele para ficar parado aí, na porta ou nas áreas abertas ao público. Nós podemos negar a Ele acesso ou controle de áreas sensíveis que gostaríamos de manter privadas. Ou áreas abarrotadas de velhas e empoeiradas amarguras, ressentimento ou culpa, ou cômodos repletos de pilhas sujas de pecado que não queremos encarar. Porém, se queremos experimentar todo o alcance do poder transformador do Espírito Santo, primeiro precisamos estar dispostos a abrir as portas de todas as áreas de nossas vidas e convidá-Lo para nos preencher” (esta citação é do livro: Jesus em mim na pessoa do Espírito Santo; Anne Graham Lotz: traduzido por Rafael Fontes – Rio de Janeiro: Alta Books, 2021, p 88/89).








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