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Reclamar ou lamentar?

Vivemos uma realidade em que as pessoas são extremamente exigentes, e quando as suas expectativas não são atendidas, e as vezes essas expectativas são muito elevadas, elas reclamam. Certamente o ato de reclamar é antigo e não é característico da geração pós-moderna, e posso afirmar sem medo de errar, que sua origem está relacionada à queda do homem.


Desde o Éden a reclamação faz parte da natureza humana caída: Adão "reclamou" da mulher que Deus lhe havia dado, a culpa dele ter comido do fruto que Deus ordenou que não comesse, era da mulher que Deus lhe dera. A mulher reclamou da serpente criada por Deus, que era muito ardilosa e a enganou, fazendo-a comer do fruto e ainda oferecer ao seu marido, e a partir de então, o ato de reclamar apegou-se à natureza humana.


O povo hebreu, tão maravilhosamente e assombrosamente libertados da escravidão no Egito, da mão opressora de Faraó, que testemunhou milagres e maravilhas na caminhada para a terra prometida, reclamou do Maná, reclamou que não tinha carne, reclamou que não tinha água, reclamou da liderança de Moisés... Nós precisamos ter cuidado para não ser enredados pela reclamação. Precisamos olhar para nossa vida e perguntar: - Eu vivo reclamando? Eu reclamo muito? Eu não consigo enxergar o cuidado de Deus mesmo nas coisas e situações difíceis e ruins? Se a resposta for sim, precisamos querer fazer algo para mudar essa realidade. Não podemos achar normal viver reclamando de tudo. Pessoas assim, se tornam amargas e indesejadas. As pessoas fogem dela(e): - lá vem o "reclamão" ou "reclamona."


O ato de reclamar todo o tempo revela em nós um espírito ingrato e falta de confiança em Deus. A reclamação está fundamentada em uma insatisfação, em um descontentamento. As pessoas que têm como hábito reclamar, elas vão solidificando este comportamento, que se transforma em um pensamento, em uma "crença" e por trás dessa "crença" está o pecado da dúvida. Duvidam do amor de Deus, do cuidado de Deus, da misericórdia de Deus. Este sentimento os leva a reclamar.


Como superar este comportamento de reclamar de tudo o tempo todo? Através da renovação da nossa mente. Mas, nem sempre as coisas dão certo, nem sempre são favoráveis, eu tenho problemas reais diante de mim que me entristecem. Como não reclamar? Então, podemos e devemos lamentar aquela situação que estamos submetidos, que estamos vivendo, mas reclamar não!


Lamentar é bíblico. O lamento é bíblico e não é pecado, está presente nos Salmos (Salmo 22, dentre outros, é um salmo de lamento) e nos é apresentado pelo Profeta Jeremias no Livro de Lamentações. O lamento tem função curativa, pois as lágrimas derramadas diante de uma dor, de uma situação angustiante, funcionam como analgésico, pois nosso cérebro, quando choramos, produz uma substancia chamada encefalina.


A diferença entre reclamar e lamentar está no coração. Um coração que reclama não enxerga a bondade e o cuidado de Deus. O lamento revela um coração confiante na bondade e no cuidado de Deus. Apesar de triste, apesar de estar sofrendo, reconhece que Deus está no controle e tem o melhor. O Profeta Habacuque nos dá uma linda lição sobre lamento e confiança. Ele inicia o capítulo 1 "brigando" com Deus. Questionando Deus. Está tudo difícil e caótico e no capitulo 2, depois de questionar, ele afirma que espera uma resposta Deus. O Senhor o responde e o Profeta no capítulo 3.16 declara: NO DIA DA ANGUSTIA DESCANSAREI.


Só consegue descansar em Deus no dia da angústia aquele que aprendeu a lamentar, a chorar aos pés do Senhor e a reconhecer como Habacuque: "ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. (Habacuque 3.17,18)


Que Deus nos ajude a trocar a reclamação pela lamentação, porque a reclamação nos faz duvidar de Deus e a lamentação nos coloca aos seus pés e nos enche da paz que excede todo entendimento (Filipenses 4.7).


Autora: Maria Genaina de A. R. Reder - Casada - Mãe de 2 filhos - Membro da Igreja Batista em Jardim Paulista, Guarulhos-SP. Servindo na igreja no Ministério de Ensino. Professora aposentada.


Contato: primeiroped@gmail.com

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