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Repreensão de um Líder Espiritual

O líder exerce um papel importante na vida dos seus liderados. Tudo começa e termina com a liderança, seja no governo, nas empresas, nos lares ou em qualquer área da sociedade. Na igreja não é diferente, pois nenhuma igreja será mais espiritual que o seu líder. Deus é amor (1 Jo 4.16), mas também é justiça (Jo 3.18). Quando o líder espiritual de uma igreja prega apenas a parte do evangelho que fala do amor e da graça de Cristo e é omisso ou não dá a devida ênfase em suas pregações sobre a outra parte do evangelho, que trata de temas como a nossa natureza pecaminosa (Rm 5.12), a consequência do pecado (Rm 3.23; Ef 2.1), o não arrependimento (Lc 13.5; At 3.19, Dt 8.20), a necessidade do novo nascimento para ser salvo (Jo 3.1-8), a necessidade da santidade (Hb 12.14; Ef 4.24), dentre vários outros temas abordados na Bíblia, e que hoje não são “politicamente corretos” de serem abordados, esse líder espiritual é uma desgraça para com a graça e também para com a igreja.


Em vez de depender do Evangelho de Cristo que é o “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), vemos um número crescente de líderes espirituais estabelecendo estratégias e tomando medidas pragmáticas que visam o aumento do número de pessoas nas igrejas, achando que dessa forma poderão promover um crescimento genuíno na igreja. Tais medidas poderão sim, aumentar a quantidade de pessoas e até de dinheiro nas igrejas (e às vezes no bolso do líder), mas não aumentará a qualidade espiritual da igreja, pois para Deus, quantidade vem como decorrência da qualidade da fé na Palavra de Deus (Jo 15.5).


Somente a prática da sã doutrina bíblica, mediante a fé em Jesus Cristo, pode promover mudança e crescimento espiritual permanente e o consequente aumento de pessoas na igreja. Apenas a Palavra de Deus (a boa semente), e não o ativismo pragmático, poderá produzir um verdadeiro avivamento na igreja. Somente a boa semente – A Palavra de Deus, quando encontra um solo fértil nos corações das pessoas, poderá produzir frutos de arrependimento, de confissão e de conversão – frutos de “um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.” (Mt 13.8)


Quando a verdadeira conversão a Cristo acontece, uma dinâmica bíblica de mudança baseada num processo que a Bíblia chama de “despojamento e revestimento” passa a existir na vida da pessoa (Ef 4.22). Quando esse processo de melhoria contínua tem início, o Espírito Santo renova a mente do velho homem dessa pessoa, até então de natureza carnal, dando lugar ao novo homem, este, de natureza divina, que “segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.23-24). Essa pessoa, que agora tem a mente de Cristo, passa, como nova criatura que é, a viver uma novidade de vida, vivendo não mais para si, mas para Cristo. Portanto, a conversão de pessoas não acontece devido a estratégia, ativismo, pragmatismo, ou qualquer outra coisa, “mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).


Nas últimas décadas a apostasia religiosa tem crescido em ritmo acelerado. A filosofia e a teologia evangélica moderna diz que devemos ter unidade de entendimento quanto à doutrina bíblica somente naquilo que é essencial, e naquilo que não é essencial devemos ter liberdade, e em todas as coisas devemos ter amor. O problema com isso é que uma vez que você começa a concordar que deve haver liberdade naquilo que você acha que não é essencial, a sua lista do “não essencial” tende a crescer cada vez mais à medida que suas associações se ampliam, e você acaba dessa forma abrindo uma grande avenida para as heresias.


As estratégias e sabedoria humana aplicadas através do ativismo e pragmatismo em busca da unidade de entendimento quanto à doutrina bíblica somente “naquilo que é essencial, e naquilo que não é essencial deve-se aplicar a liberdade, e em todas as coisas pratique-se o amor”, não são e nunca serão a autoridade na igreja. A única autoridade para fé e conduta do crente em Jesus é a Bíblia, e não há base bíblica para essa teologia liberal que vemos em muitas igrejas. Como predito na Bíblia, vivemos em tempos difíceis, trabalhosos e de apostasia religiosa.


Esse liberalismo teológico que diz que devemos ter unidade de entendimento quanto à doutrina bíblica apenas “naquilo que é essencial, e naquilo que não é essencial devemos ter liberdade, e em todas as coisas devemos ter amor” não encontra respaldo na Palavra de Deus.


A Bíblia nos ensina o princípio de guardar “todas as coisas.”. Paulo citou Dt 27.26 quando disse em Gl 3.10: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gálatas 3.10)


O salmista pregou o princípio de todas as coisas: “Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso estimo todos os teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.” (Salmos 119.127-128). A razão pela qual o salmista estimava todos os preceitos de Deus era que ele tinha um relacionamento apaixonado e grande entendimento da Palavra de Deus, amando-a acima do ouro.


Veja que o salmista não apenas odiava as coisas que eram contrárias às doutrinas “essenciais” da Palavra de Deus. Ele odiava todos os caminhos falsos. Não há nenhum princípio “não essencial” no Novo Testamento. Se está na Bíblia, é essencial.


O Senhor Jesus Cristo ordenou a Seus discípulos que ensinassem seus convertidos a “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28.20).


O apóstolo Paulo lembrou aos anciãos em Éfeso que a razão pela qual ele estava livre do sangue de todos os homens era que ele tinha pregado todo o conselho de Deus (Atos 20.27).


Quanto mais clareza e fervor você tiver ao pregar todo o conselho de Deus, menos provável será que você se junte no ministério com aqueles que sustentam diferentes doutrinas. Em 1 Coríntios 11.2 Paulo disse à igreja em Corinto: “E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vo-los entreguei.”


As passagens que tratam do comprimento do cabelo e da Ceia do Senhor são amplamente consideradas pelos liberais como “não essenciais”, mas Paulo elogiou a igreja por se lembrar dele em todas as coisas. À luz deste claro ensino bíblico, não podemos apoiar os que criticam igrejas que não aceitam homens de cabelo comprido. Pelo contrário, deveriam ser repreendidos aqueles que alardeiam a “liberdade” de tê-los. Quando a Palavra de Deus fala, nossa liberdade termina. Quando o Deus da Palavra fala sobre qualquer assunto, nossa liberdade acaba. Quando a Palavra de Deus diz que é uma vergonha para um homem ter cabelo comprido e que cabelo comprido é a cobertura e glória da mulher, isso é o fim do assunto e a nós compete honrar a Deus obedecendo a Sua Palavra.


“… pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome.” (Sl 138.2)


Louvado seja Deus pela Sua Palavra!


Peter Issar – Ministra aulas e faz seminários em Bibliologia; Curso de Apologética Cristã; Curso de Autoconfrontação Bíblica da Biblical Counseling Foundation – BCF, EUA, onde recebeu treinamento. Oferece serviços de Consultoria de TI; Consultoria em Desenvolvimento de Negócios. Foi diretor e gerente em multinacionais da área de TI nos EUA e Brasil. Tel.: (11) 2263-0402 – peterissa@hotmail.com


*2 Ref. Bíblicas: “A Bíblia Sagrada” – Versão Almeida Corrigida, Fiel (ACF) – Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB). Rua Júlio de Castilhos, 108 – Belenzinho – São Paulo, SP – 03059-001 – São Paulo: 11.2693-5663. Outros locais: 0800-12-4008 – www.biblias.com.br – E-mail: sbtb@biblias.com.br








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