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Sandálias da Humildade

Na reta numérica conseguimos encontrar uma infinidade de números reais. Basta identificarmos os mais “bonitos”: os números inteiros. Ou simplesmente os mais “elegantes”: os números naturais. Dentro dos naturais, existem ainda os números Felizes, Educados, Palíndromos, Extraordinários, Curiosos, Perfeitos, Amigos, Práticos, Deficientes, abundantes, …O que é ser bonito ou ser elegante? Não seriam mais belos os racionais não inteiros ou ainda as dízimas não periódicas que caracterizam os números irracionais. Há uma quantidade infinita de muitos tipos e dentro dos números reais ainda há uma relação de ordem onde podemos comparar e dizer: Esse é maior, é menor, é igual. Mas, quando tudo fica complexo, também fica não ordenado. E se for perplexo? Fugindo do que nos é real, o que torna melhor, fazer i2 = -1 ou j2 = 1?

E se for para relacionarmos com riquezas, então quanto maior o valor, este será também mais belo e melhor. Isso até cairmos na real ou sermos racionais, e tudo ser insuficiente. Pois assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor, e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado” (Jeremias 9. 23-24).

Por que a quantia que o mais rico lança é maior? Os ricos lançaram grandes quantias. Porém, quando a viúva pobre lançou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor, para Jesus ela lançou mais do que todos os outros (Marcos 12. 41-43). Para Deus, o que faz ser ordenado está no nosso interior.

E por que o mais rico seria o maior? Jesus disse: Dos que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João; todavia, o menor no Reino de Deus é maior do que ele (Lucas 7.28).

João Batista vestia roupas feitas de pêlos de camelo, usava um cinto de couro e comia gafanhotos e mel silvestre. E sua mensagem era: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias (Marcos 1.6-7).

Por que a mais bela externamente seria a melhor? A palavra de Deus diz: A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e joias de ouro ou roupas finas. Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus (1 Pedro 3. 3-4).

Se queremos ser ricos a única coisa que devemos pedir de Deus é Sabedoria, a qual Ele dá a todos livremente (Tiago 1.5). E a mais bela é aquela que faz parte de outro conjunto, das que temem ao Senhor. A mulher que teme ao Senhor supera todas as outras que podem ser exemplares (Provérbios 31.29).

A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada (Provérbios 31.30).

Conjuntos numéricos “diferentes” que existem e para muitos pouco importam. São praticamente invisíveis pois não conseguimos vê-los. Não os entendemos e deles é melhor não ficarmos perto. Eles não são elegantes.

Assim como os números, existem muitas pessoas que são quase invisíveis para nós. Aquelas que calçam as sandálias da humildade e que os “ricos” não podem ficar perto. Aquelas que muitos preferem não ver porque os seus “elegantes” sapatos os fazem ser maiores do que elas. Até os seus sapatos tem mais valor.

O que seria de nós se Deus nos olhasse assim. Sobraria alguém? Talvez o zero, mas aquele que é neutro, infelizmente, não tem valor. Isso é real.

Ah se pudéssemos ser o resultado daqueles que Deus coloca especialmente e consecutivamente em nossos caminhos. Um somatório de tudo que fazemos por eles. Seríamos como os “números educados”. E se de alguma forma pudéssemos retornar para a unidade. Poderíamos ser como os “números felizes”.

Poderíamos então usar a riqueza deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabasse, estes nos recebessem nas moradas eternas (Lucas 16.9). E o nosso espírito se alegraria em Deus, nosso Salvador, pois atentaria para a nossa humildade (Lucas 1.47-48).

Sendo identificados através de Cristo, pode existir interiormente em nós algo de grande valor, e pode existir aquele que nos dá vida e sela a eternidade, para o louvor da Sua glória (Efésios 1.13). Como diz uma música: Você tem valor, pois o Espírito Santo se move em você.

Por influência teológica eu tenho um número favorito. Gosto muito do número primo 7 e todos os seus múltiplos, e já tenho uma infinidade para chamar de belos. Eles estão em toda parte e são infinitos na bíblia. Desde já, me perdoem 70×7 vezes caso não estejam gostando do meu texto. Se a matemática para você não é elegante então olhe apenas para o sentido que queremos dar.

Porém, não tenho pessoas preferidas. De todos nascidos de mulher, me considero o maior de todos os pecadores. Porém, como crente, um separado que peca, não faço diferença entre as pessoas como faço muitas vezes com os números.

Suponham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas finas, e também entre um homem pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: “Aqui está um lugar apropriado para o senhor”, mas disserem ao pobre: “Você, fique de pé ali”, ou: “Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés”, não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? (Tiago 2.1-4)

Todos importam! Aqui estamos tratando de um conjunto não ordenado e perplexo de entender. Os ricos e os pobres entrarão pela mesma porta no Céu. Os olímpicos e os paralímpicos vão para o mesmo pódio.

Deus escolheu os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam (Tiago 2.5).

Na Matemática existem ainda os números abundantes, perfeitos e deficientes. O que caracteriza cada um é a soma dos seus divisores próprios. Jesus foi o único homem perfeito, e cabe a nós deficientes, sermos abundantes amando ao nosso próximo, pelo menos de vez em quando, como a nós mesmos.

Sejamos elegantes: Aqueles que pedem Sabedoria na mesma proporção que o maior dos pedintes. Aquele que pede e muitas vezes não tem nem mesmo as sandálias da humildade. E que Jesus Cristo seja a nossa única constante de proporcionalidade. A nossa única Unidade.

São muitos tipos, mas o único conjunto que pertence a Deus é aquele formado pelos que o temem de verdade.

Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros maiores a si mesmos.

Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! (Filipenses 2. 3 – 8)

Uma forma de honrar um irmão, a quem apelido de um João Batista dos Gideões Internacionais no Brasil, que conheci em uma convenção nacional.

Alessandro Monteiro, 15 de setembro de 2022.

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