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Vontade de “sair do mundo”

Não compreender o papel do cristão neste mundo, pode levar-nos a agir como os escribas e fariseus dos dias de Jesus. Certa feita Jesus estava comendo com publicanos e pecadores, quando os escribas e fariseus pressionaram os discípulos sobre aquela prática abominável e dissoluta. Mas antes que os discípulos respondessem, o próprio Jesus interveio incisivo: “Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” (Mc 2.17).


Na carta de Paulo aos crentes da Igreja em Corinto, explicando o que já lhes havia escrito por carta, a respeito de certos tipos de associações, o apóstolo diz com todas as letras, “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo”(1Co 5.10).


Na carta do mesmo apostolo Paulo aos crentes da Igreja em Éfeso, ele diz: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta” (Efésios 5.8-13). O que fica claro na fala do apóstolo é que o crente, por ser luz, seu fruto é “bondade, justiça e verdade”, e isso o faz expor, manifestar e condenar “as obras infrutíferas das trevas… pois a luz torna visíveis todas as coisas.” O texto mostra claramente que, sendo luz no Senhor, não somos cúmplices dos pecados dos que estão nas trevas. O que fazemos, com a nossa presença, é tornar visível o pecado. Isso, em si, é a condenação. Por sua vez, o crente, que é agradável ao Senhor, trata bem a pessoa, não compactuando com seu pecado. Vale lembrar aqui, em relação aos ensinos do mesmo apóstolo Paulo, que a nossa luta não é contra as pessoas, mas contra os poderes espirituais que as escravizam, literalmente, nas garras invisíveis do diabo (Efésios 6.12).


Em relação às pessoas que não estão em Cristo, devemos orar por elas, sempre procurando criar oportunidades para compartilhar o evangelho, único recurso que pode ser usado pelo Espírito Santo para produzir fé e dar oportunidade de salvação (Rm 10.17). Portanto, não devemos nos meter na vida das pessoas julgando-as e condenando-as com palavras. A condenação da parte de Deus, vem a elas, quando manifestamos a luz que expõe o que elas são, criando, assim, a oportunidade para lhes pregar o evangelho. Se você não mostrar com sua vida o amor de Deus, não tem como pregar. “Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Co 5.12-13). O iníquo aqui refere-se ao crente que está dentro, e não aos incrédulos, que já estão fora. A tolerância do crente não é conivência com o pecador e seu pecado. A tolerância, nesse caso, tem a ver com a longanimidade e bondade de Deus. Nossa missão envolve ser luz para, então, pregar o evangelho (Boas Novas de Salvação) e convidá-lo ao arrependimento. Isso nada tem a ver com apoiar, concordar, consentir, ou participar das obras infrutíferas das trevas. A ordem é reprová-las. Como as reprovamos? Sendo a luz! Não nos esqueçamos que o amor que encobre multidão de pecados refere-se ao amor que perdoa (1 Pe 4.8). Procure pela sabedoria que Deus quer te dar.


Seja gentil com o pecador, trate-o com amabilidade, siga as instruções da Palavra de Deus e não a religiosidade meramente legalista dos escribas e fariseus. Percebeu uma prática abominável e dissoluta, leve a sua luz para que ela seja manifesta e pregue o Evangelho.


Falta de discernimento e má interpretação das Escrituras tem causado problemas nas práticas cristãs. Há muitos crentes fazendo citações de textos do AT de modo literal e equivocado em relação à dispensação da Graça na qual vivemos. Jesus veio para salvar pecadores. As discriminações dos modernos escribas e fariseus, não importam quando o destino eterno de uma alma está em jogo. “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17).


Ao contrário dos religiosos, Jesus não exigia que as pessoas mudassem antes de virem a Ele. Ele as procurou, encontrou-as onde estavam e estendeu-lhes graça. A mudança viria para aqueles que aceitassem a Cristo, mas seria de dentro para fora. A bondade de Deus, que só pode se manifestar através da vida dos que estão na luz, pode levar os pecadores ao arrependimento (Rm 2.4).


Jesus nos mostrou que não devemos deixar normas culturais determinarem quem devemos evangelizar. Os doentes precisam de médico. Parte da nossa missão é interceder para que o Senhor da seara envie trabalhadores ao campo (Lc 10.2). Como não tenho permissão para “sair do mundo”, no qual estão os pecadores devassos, dissolutos e abomináveis, dos quais eu sou o principal, prefiro não tentar transferir a responsabilidade de propagar e defender os valores e princípios bíblicos para o Estado. A tarefa de influenciar o mundo com valores do Reino de Deus é da Igreja através dos crentes e não pode ser atribuída a mais ninguém. O que não posso, de maneira alguma, é abrir mão da minha responsabilidade pessoal conforme ensina o apóstolo Paulo: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Posso até sentir vontade de “sair do mundo”, mas preciso ficar até que Cristo volte. Maranata!








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