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Guardando a mente e o coração em tempos de cegueira coletiva

Vivemos dias de intensa polarização e cegueira espiritual. Tempos difíceis que testam diariamente a nossa fidelidade na condução do rebanho de Deus.

 

Em termos históricos, até mesmo pensadores que confrontaram regimes totalitários na Europa, como Dietrich Bonhoeffer, observaram que a recusa em enxergar a verdade óbvia não decorre de uma limitação intelectual, mas sim de uma profunda falha de caráter moral.

 

Diante de ideologias e pressões deste século, o ser humano natural prefere fechar os olhos à realidade, criando uma barreira intransponível contra a razão e contra o conselho pastoral.

 

Como defensores da sã doutrina e da total inspiração das Escrituras, compreendemos perfeitamente a raiz desse fenômeno. Trata-se do efeito noético do pecado - a terrível corrupção que a Queda operou na mente e no intelecto humano (nous). O ser humano sem Deus perdeu a bússola da verdade espiritual.

 

O apóstolo Paulo nos adverte com máxima precisão sobre essa condição: “Isto, porém, digo e testifico no Senhor: que vocês não andem mais como também andam os gentios, na futilidade da sua mente, escurecidos no entendimento, separados da vida de Deus por causa da ignorância que nele há, pela dureza do seu coração.” (Ef 4.17-18)

 

O pecado gera um autoengano tão profundo que cega o indivíduo, levando-o a uma rebelião e supressão ativa da verdade em favor de seus próprios conceitos e ideologias: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça.” (Rm 1.18) 

 

É por essa razão, meus irmãos, que os nossos melhores esforços baseados apenas em debates racionais, discussões lógicas ou táticas humanas frequentemente fracassam. A mente caída e cauterizada pelo espírito desta era é impermeável à persuasão meramente humana. A Bíblia traça com clareza essa linha divisória: “O ser humano natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Co 2.14)

 

Precisamos nos lembrar de que as fortalezas do erro e do engano ideológico que tragam as mentes ao nosso redor não são de ordem intelectual, mas espiritual. Portanto, elas jamais serão desfeitas por argumentos da sabedoria humana: “As armas com que lutamos não são humanas; pelo contrário, são divinamente poderosas para destruir fortalezas.” (2 Co 10.4)

 

Diante dessa realidade, nossa resposta como ministros do Evangelho deve ser de profunda humildade, oração e total dependência do Senhor. Reconhecemos que nenhuma instrução puramente humana pode mudar o curso de um coração endurecido. Somente a graça regeneradora e o agir do Espírito Santo têm o poder de transformar radicalmente o ser humano de dentro para fora: “Eu lhes darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vocês... retirarei de vocês o coração de pedra e darei um coração de carne.” (Ez 36.26)

 

O nosso chamado não é o de vencer debates intelectuais ou amoldar a igreja às correntes deste mundo, mas o de pregar fielmente a Palavra de Deus, com integridade e centralidade bíblica. Confiamos plenamente que a Escritura é autossuficiente e que o Senhor operará a renovação na mente do Seu povo: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2)

 

Que o Senhor nos conceda paciência, mansidão, firmeza doutrinária e discernimento espiritual para pastorear, com absoluta fidelidade, este rebanho tão precioso comprado pelo sangue de Cristo. Que o Senhor abençoe ricamente o ministério de cada amado irmão!

 

Pergunta para Reflexão


"Considerando a suficiência das Escrituras e o nosso compromisso com a sã doutrina, como os amados irmãos têm lidado na prática pastoral com membros que acabam priorizando narrativas e ideologias seculares em detrimento do ensino bíblico claro? Que abordagens bíblicas têm sido úteis em suas igrejas locais para desarmar o autoengano sem politizar o púlpito?"


 

Pr. David Alex Henríquez

Igreja Batista da Fé

 

Vídeo desafia a uma reflexão sob o tema tratado no texto:

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