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Velhice, o dilema do cuidado na realidade brasileira

O Dilema do Cuidado: Cultura, Afeto e a Realidade Brasileira.

 

Parece haver, na cultura brasileira, uma tendência a não planejar o amanhã, vivendo-se um presente que muitas vezes ignora as inevitabilidades do envelhecimento. Dentro dos costumes da nossa sociedade, ainda é amplamente visto como "desumano" que os filhos optem por colocar seus pais em casas de repouso. Da mesma forma, para os pais, aceitar essa condição é frequentemente interpretado como um atestado de abandono ou de falha nos laços familiares.

 

No entanto, essa resistência cultural esbarra em questões práticas e estruturais que não podem ser ignoradas:

 

1.    O Abismo entre Necessidade e Infraestrutura

 

A imagem negativa das casas de repouso no Brasil não é gratuita. Muitas instituições não oferecem a dignidade necessária, operando mais como depósitos humanos do que como centros de convivência. Por outro lado, as instituições de excelência, que oferecem atividades estimulantes e cuidados humanizados, possuem custos proibitivos, tornando-as inacessíveis para a grande maioria das famílias de classe média e baixa.

 

2.    A Limitação do Cuidado Doméstico

 

Há um ponto de inflexão onde o amor e a vontade de cuidar não são mais suficientes. O envelhecimento pode vir acompanhado de patologias complexas (como demências ou limitações severas de mobilidade) que exigem conhecimento técnico e vigilância profissional 24 horas.


  • Muitas famílias adoecem junto com o idoso por tentarem assumir uma carga que é, tecnicamente, de um profissional de saúde.


  • O ambiente doméstico, muitas vezes, não possui as adaptações necessárias para garantir a segurança contra quedas e acidentes.

 

3.    A Mudança na Estrutura Familiar

 

Diferente das gerações passadas, onde as famílias eram numerosas e sempre havia alguém em casa, a configuração atual - com famílias menores e todos os membros inseridos no mercado de trabalho - torna o cuidado domiciliar um desafio logístico quase impossível de superar sem auxílio externo.

 

O Exame de Consciência - Gálatas 6.4.


"Mas cada um avalie seu próprio procedimento..."

Muitas vezes, a decisão de colocar um pai em uma casa de repouso é tomada sob o peso do que os outros vão pensar (vizinhos, parentes distantes, membros da igreja). O apóstolo Paulo sugere que o foco deve ser a verdade diante de Deus:


  • A motivação é o amor ou a conveniência egoísta? Se o filho avalia que não tem estrutura física, emocional ou técnica para dar a dignidade que o pai merece, a decisão pela casa de repouso pode ser o ato mais responsável.


  • O orgulho em si mesmo: Se você sabe que está fazendo o melhor pelo seu pai, mesmo que isso signifique ajuda profissional externa, você terá paz de espírito, independentemente das críticas alheias.

 

Pr. Antonio Mendes Gonçales

Presidente do Conselho da Leda By The Name


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