Missões, uma obra que ressoa na eternidade
- Genaina Reder

- há 5 dias
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Deus está intrinsecamente ligado à obra missionária. Ela é uma ideia divina, não da igreja, e seu propósito final é a glorificação de Deus. Desde o Éden, podemos enxergar Deus estabelecendo um projeto missionário para o resgate da humanidade por meio de Jesus Cristo. Ele mesmo, Jesus, é o maior e mais completo missionário que conhecemos. Viveu trinta e três anos neste mundo e cumpriu cabalmente o projeto missionário que o Pai lhe confiou.
Realizar missões é um desígnio de Deus, uma extensão de Sua própria natureza e amor. Seu objetivo é levar esperança e salvação às pessoas, servindo e demonstrando amor de forma prática. Essa obra não é um negócio em busca de retorno financeiro, mas um investimento com consequências eternas, é responsabilidade de todos os cristãos, seja por meio do envio de missionários ou atuando onde estão. A igreja é vista como instrumento para missões, e a dedicação a ela deve ser integral, priorizando a expansão do Reino de Deus.
A igreja primitiva era intrinsecamente missionária, impulsionada pela obediência ao mandato de Cristo de evangelizar, e o Espírito Santo foi central nesse processo, direcionando e capacitando os missionários. Observa-se nos relatos bíblicos que o trabalho missionário era caracterizado pela perseverança em anunciar o evangelho, pela oração em comunidade e pelo apoio mútuo entre os missionários em campo e a igreja que os sustentava.
Essa prática inicial estabeleceu um modelo de evangelização que incluía a pregação da Palavra e o serviço prático, fazendo da igreja uma unidade missionária que enviava e apoiava missionários para levar a mensagem ao mundo. Os cristãos daquele momento da história da igreja entendiam que fazer missão era um compromisso de toda a comunidade, e não apenas de alguns indivíduos.
O fazer missionário ia além da pregação e incluía ações de amor e serviço aos necessitados. A igreja era vista como ponto de partida para missões, e não apenas como um lugar de destino, sendo simultaneamente um espaço de missão e de envio.
A igreja pós-moderna, isto é, a igreja atual, enfrenta desafios para realizar a obra missionária, como a fragmentação da verdade e a valorização da experiência individual. São muitos os desafios da evangelização em uma sociedade fluida e plural, e é necessário demonstrar a relevância do evangelho em meio a essas novas realidades. Os desafios à obra missionária na igreja contemporânea podem ser divididos em internos (dentro da igreja) e externos (na sociedade), com destaque para o egoísmo, a secularização e a falta de engajamento.
1 - O egoísmo e a visão limitada, com a priorização do conforto e do crescimento local em detrimento do investimento em missões em áreas não alcançadas, são obstáculos significativos. Isso se manifesta na busca por retorno financeiro imediato e na falta de urgência em alcançar aqueles que ainda não conhecem Cristo.
2 - A falta de fervor e a acomodação, seguidas pelo cansaço, desilusão e ausência de alegria, geram desinteresse pela evangelização, resultando em inação.
3 - Conflitos de interesse e divisões, que produzem divergências de opinião, tensões entre líderes e falta de comunhão, podem sabotar o progresso da obra missionária. Fofocas e competições internas desviam o foco da missão principal.
4 - Dificuldades na gestão financeira e na sustentabilidade da obra missionária, como falta de clareza nos objetivos e dificuldade em garantir o sustento contínuo de missionários e projetos, acabam desmotivando igrejas a ofertarem e se comprometerem a longo prazo.
5 - A falta de treinamento de novos obreiros e lideranças missionárias também é um desafio. A pouca ênfase em missiologia nos seminários e a ausência de preparo adequado resultam em missionários e membros despreparados para os desafios culturais e contextuais da obra.
6 - O engajamento dos membros é um desafio crescente, e a falta de sentimento de pertencimento e envolvimento com a comunidade e a missão da igreja dificulta a mobilização de pessoas para o trabalho missionário.
Quanto aos obstáculos externos relacionados à sociedade, destacam-se a secularização e o pluralismo; a adaptação cultural e a barreira linguística; a perseguição religiosa, real em muitas partes do mundo; e os desafios urbanos, com o crescimento das cidades e das periferias, que trazem consigo problemas sociais que também devem ser foco missionário. Jesus não se limitou a pregar a Palavra - embora esse fosse Seu principal objetivo - mas também alimentou multidões, curou doentes e reintegrou pessoas socialmente excluídas.
Diante dessa realidade, convido você a refletir sobre como temos nos posicionado enquanto igreja (corpo de Cristo) e individualmente diante da obra missionária. Temos agido como meros(as) espectadores(as)? Indiferentes às necessidades e às vidas que diariamente são ceifadas longe do Evangelho? Por que corações alcançados pelo Evangelho não se compadecem diante de tantas almas famintas pela paz que só Jesus pode ofertar? Por que demonstramos tão pouca (ou nenhuma) compaixão pelos perdidos? Que o Pai nos conceda corações que amem e se entreguem à maior e mais importante obra: anunciar a salvação que só há em Cristo Jesus. Esta é uma obra urgente, a ser realizada aqui e agora, cujo eco ressoará na eternidade.
“Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita’? Eu digo a vocês: abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita.” (João 4.35)
Genaina Reder - São Paulo SP







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