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O Apóstolo Paulo e o Planejamento Estratégico

O Apóstolo Paulo e o Planejamento Estratégico do Trabalho Cristão

(Parte 5)

 

Após a assunção aos céus, Jesus delega definitivamente a tarefa de continuar com o plano, aos discípulos. Exatamente aqui, neste ponto da estratégia, Deus destaca um reforço vibrante, o Apóstolo Paulo. Provavelmente, o mais importante homem do Novo Testamento. Por sua obra, leia-se entrega de vida, trabalho duro e estratégia conectada com a vontade de Deus, o Evangelho expandiu suas fronteiras para o resto do mundo.


A vocação e a construção da sua equipe.

Sua convocação foi única, contundente e eficaz (At. 9. 1-30). O objetivo principal da sua chamada:

“Mas o Senhor disse a Ananias: Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome".


Em Seu plano, Deus agora escolhe e capacita um líder especial. Ao longo de sua carreira desenvolveu a teologia da Nova Aliança como nunca visto antes – Deus lhe concedeu compreensão e sabedoria de forma absurda. Até hoje estudamos suas palavras, procurando entender a revelação dada a ele, para nós.


Ele desenvolveu ainda muitos outros líderes a quem ensinou e preparou para caminhar com ele – inclusive para continuar com o plano depois da sua partida. Vejamos alguns dos seus companheiros de ministério:

·         Grandes líderes: Apolo, Barnabé, Silas.

·         Apoio ao ministério pastoral: Aristarco, Lucas e Timóteo.

·         Amigos de ministério: mãe de Rufo ou dos da casa de Cloe.

·         Companheiros de viagem: Sópater, Segundo, Gaio e Trófimo.

·         Anfitriões: Áquila e Priscila, Filemon, Filipe, Gaio, Jasão, Lídia e Mnáson. 

·         Não se sabe muito a respeito: Arquipo, Cláudia, Dâmaris, Lino, Pérside, Pudente e Sópater.

Construir uma equipe confiável e eficaz, investir na próxima geração, treinar e delegar tarefas, estavam, decisivamente, no plano de ação do apóstolo.

Sofrimento e conceito de sucesso.


Contudo, fazer parte do Plano, segundo o exemplo de Paulo, não é uma tarefa apenas de glórias e benefícios. Sofrimento e dor certamente estarão presentes. Às vezes, mais estas do que aquelas!

O conceito de sucesso, em nossos dias, difere muito da realidade de homens como Paulo, os Doze Apóstolos e, finalmente, Jesus Cristo.


Para chegar à conclusão de cada fase do seu plano, o apóstolo, pessoalmente, enfrentou diversas dificuldades. Na verdade, algumas bem extremas:[1]

1.    Teve de descer em um cesto para fugir de uma prisão arbitrária. Em 2 Coríntios 11:32-33 vemos que Paulo teve de sofrer a humilhação de ser içado por uma janela de uma muralha como se fosse um criminoso fugitivo, a fim de escapar do apetite voraz de governantes injustos que queriam a sua cabeça.

 

2.    Foi expulso de Antioquia pelos poderosos da cidade. Em Atos 13:50-51 vemos uma conspiração entre os judeus, mulheres e homens de alta posição, para expulsar Paulo da cidade, pelo simples fato dele estar expondo o evangelho naquele lugar e estar havendo conversões.

 

3.    Foi apedrejado quase até a morte em Listra. Em Atos 14:19 vemos que Paulo foi arrastado por uma multidão para fora da cidade e foi apedrejado por essa multidão e, provavelmente, tenha desmaiado, fato este que fez a multidão achar que ele estava morto.

 

4.    Na Macedônia foi açoitado, preso e amarrado com os pés em um tronco. Em Atos 16:23-24 vemos que Paulo foi preso porque expulsou um demônio de uma jovem adivinhadora que dava muito lucro aos que a exploravam. Por isso, foi açoitado, lançado na cadeia e teve seus pés amarrados em um tronco.

 

5.    Foi perseguido pelos judeus de Tessalônica porque pregou em Beréia. Em Atos 17:13-14 vemos que Paulo sofre perseguição dos próprios judeus apenas pelo fato de pregar em uma sinagoga, em Beréia. Por causa disso, mais uma vez, teve de fugir desses judeus que queriam a sua morte.

 

6.    Por pregar contra outros deuses em Éfeso, ficou em meio a uma grande confusão na cidade. Em Atos 19:23-26 alguns ourives, temendo ficar sem seu lucro por produzirem imagens de deuses para adoração, incitaram grande tumulto contra Paulo e outros discípulos, o que fez sua estadia nessa cidade ainda mais perigosa.

 

7.    Em Jerusalém é acusado injustamente de ter levado um grego ao templo e, por isso, é perseguido e quase é morto. Em Atos 21:27-31 mais uma vez os judeus fazem uma grande confusão por deduzirem que Paulo teria profanado o templo levando um grego (Trófimo) até lá. Eles incitam as pessoas e Paulo é arrastado para fora do templo, espancado e quase é morto pela multidão.

 

8.    Preso e enviado a Roma, sofre um naufrágio em Mileto. Em Atos 27:13-20 Paulo, injustamente preso, é levado de navio até Roma, onde teria uma audiência sobre sua prisão injusta. No caminho, o navio deles sofre um grave naufrágio devido a uma tempestade.

 

9.    Na ilha de Malta é picado por uma cobra venenosa. Em Atos 28:3 vemos que, após se recuperar do grave naufrágio, Paulo é picado por uma cobra venenosa que estava escondida entre os gravetos que ele pegava para fazer uma fogueira. Felizmente, não morreu.

 

10. Foi decapitado por Nero em Roma. Apesar da Bíblia não narrar esse fato, a tradição sobre a morte de Paulo diz que ele foi decapitado por Nero, por volta do ano 67 ou 68 d.C., o que é bem provável, já que o imperador Nero foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos.


Evidentemente, os sofrimentos que Paulo passou foram ainda maiores do que estes. Ele ainda teve que, entre outros, suportar um espinho na carne (2 Coríntios 12:7), se separar de amigos queridos por causa do ministério (Atos 20:22-23), etc.

O que isto nos ensina a respeito do trabalho cristão?

Esta pergunta vou deixar para você – amigo leitor – responder!

O trabalho focado e com propósito nunca é em vão.


Para o apóstolo, o trabalho continha facetas únicas.

·         O trabalho cristão tem o foco somente na aprovação de Deus, não dos homens.

“Esforce-se sempre para receber a aprovação de Deus a quem você serve. Seja um bom trabalhador, que não tem do que se envergonhar e que ensina corretamente a palavra da verdade”. (2 Timóteo 2:15).


·         O trabalho do cristão, assim como seus resultados, demonstra que Deus já transformou o coração, o desejo e os objetivos pessoais.

“Aquele que roubava não roube mais; pelo contrário, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado”. (⁠Efésios 4:28).


·         O trabalho cristão enche de esperança – para esta vida e para a próxima. A perseverança sempre deverá ser mais evidente no cristão, do que em qualquer outra pessoa.

“Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será em vão”. (1 Coríntios 15:58).


A estratégia do apóstolo Paulo

“Deus dará ou mostrará o que e como fazer ou falar, para que Sua obra seja feita”.

Estas palavras, muitas vezes, são ditas em tom de crítica, ou desdém, quando falamos sobre o planejamento e a estratégia, na obra de Deus. Contudo, ao mesmo tempo, dizemos “amém” para elas! (Tiago 1:17). “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes”.


Com toda certeza, afirmamos que tanto a visão quanto a estratégia e o plano dignos vêm de Deus. E, vamos agora ver como esta verdade se manifestou na vida do apóstolo Paulo.

Veja as seguintes passagens e note o que elas têm em comum:

·         Atos 13: 5, 14 e 43

·         Atos 15: 1

·         Atos 17: 1-3 e 10

·         Atos 18: 1-4, 7 e 28


Em todas as passagens acima vemos o conjunto de ações que, muito claramente, demonstram a estratégia bem definida, usada pelo apóstolo.

Ao chegar em uma nova cidade, o apóstolo dispunha-se a:

·         Encontrar a sinagoga principal,

·         Dirigir-se ao líder,

·         Pregar a Palavra abertamente,

·         Deter-se por um tempo, com a finalidade de prosseguir com o ensino, discipulado,

·         Aproveitar o “cenário” já existente, e

·         Efetivar liderança local.


Havia um plano e uma estratégia. Paulo focava no local, nas pessoas certas, nas situações e oportunidades favoráveis, investia nos discípulos promissores e repetia tudo de novo na próxima cidade.


A glória

É difícil verificar o relato bíblico, com tanta coisa acontecendo, sem dar a glória a Deus. O chamado, o poder, a capacitação e os resultados vêm Dele, é inegável. Ninguém quer roubar Sua glória. Sim, apenas compreender justamente que tudo isto, ou seja, o plano, a estratégia, a meta, a constituição de equipe e grupo(s) de trabalho e a busca pelos resultados são requeridos para que os discípulos avancem e continuem com a tarefa.

A glória sempre será de Deus!

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Paulo Santos é casado com a Rosana. Teólogo (SBE) e Mestre em Ministérios (SBPV), plantador da Comunidade Cristã das Boas Novas Atibaia. Foi líder nacional de educação e fundador da Agência Missionária da Convenção Brasileira dos Irmãos Menonitas. Fundador do Instituto Vocati Discipulado e Liderança (2009), o qual distribui gratuitamente material, cursos e treinamentos para Evangelismo, Discipulado e Liderança. Missionário e líder de projetos para o Brasil, América Latina, África.

Conheça o Instituto Vocati: Novo Vocati (mailchi.mp)

Contato: coordpaul@gmail.com  11 982672361


[1] Extraído e adaptado de: www.esbocandoideias.com

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