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Redes que aprisionam; contatos que libertam

No meio da agitação do dia a dia procuramos um refúgio, um momento de silêncio a sós para respirar fundo, organizar os pensamentos, alinhar as prioridades; desacelerar. Como é possível que nesse mundo tão movimentado, populoso e tumultuado pessoas ainda estão sofrendo de solidão?

 

A solidão sempre foi algo com o qual o ser humano precisou lidar, entretanto, a sociedade contemporânea tem sido afetada por ela em níveis inquietantes. Estudos neuropsiquiátricos têm constatado que o fácil acesso e o uso indiscriminado das redes sociais influenciam o isolamento das pessoas.

 

A partir de então, podemos compreender o que sociólogos e pesquisadores em tecnologia chamam de “paradoxo da hiperconectividade”; o fato de as pessoas estarem sempre conectadas online contribui para a total desconexão social off-line.

 

Estudos realizados pela Baylor University¹ e pela Universidade Havard², constataram o alarmante prejuízo nas relações interpessoais, bem como da saúde física que o avanço das tecnologias têm causado. Durante a Pandemia de COVID 19, entre os anos de 2020 e 2022, a internet e as redes sociais foram um aliado importante de interação em um tempo de isolamento social.

 

Entretanto, essa ferramenta útil como alternativa de comunicação em tempos de pouco ou nenhum contato social, tem se tornado a regra, não a exceção, o hábito, não a eventualidade. O problema é que o mundo virtual difere do real pela própria essência, ele é uma representação digital, uma realidade simulada, um mundo irreal.

 

A fronteira entre essas realidades tem se tornado cada vez mais tênue e, infelizmente, as pessoas de um modo geral parecem não enxergar tais diferenças tão lógicas e pertinentes; essa confusão tem gerado ansiedade, depressão e dependência. O verossímil, aquilo que torna real o que é fantasia no mundo dos contos infantis, está tomando status de verdade no meio eletrônico.

 

As palavras ditas pelo Criador, no jardim, ecoam ainda hoje "não é bom que o homem esteja só" (Gênesis 2.18). Deus providenciou para Adão uma companhia compatível, que lhe complementava e lhes permitia crescer juntos; todos os dias Ele vinha conversar com eles, conceder conhecimento, lhes ensinar a conviver, a partilhar, a aprender com suas experiências e atividades.

 

Fomos criados como seres sociais, carecendo de relacionamento, fricção e reciprocidade; é assim que amadurecemos, nos fortalecemos e desenvolvemos habilidades cognitivas, emocionais e relacionais. Ao mergulhar no mundo projetado para ser artificial, o ser humano tem sucumbido ao aparente, ao temporário, ao superficial.

 

Contraditório pensar que a Bíblia tem sido desacreditada sob o pretexto de estar desatualizada enquanto que as tecnologias têm confirmado uma das mais profundas e antigas verdades das Escrituras: a busca incessante por conhecimento, por validação, por controle e independência de Deus que há em cada um de nós.

 

Seja no Jardim ou em casa de amigos, Deus se aproxima para conversar, para se relacionar intencionalmente com as pessoas. Em Lucas 10.38-42 lemos a história de duas irmãs e seu encontro com Jesus; uma família, considerada de amigos próximos, puderam receber o próprio Senhor da vida e ouvi-lO a seus pés.

 

Maria estava atenta, Marta, contudo, estava preocupada com os afazeres da casa, preocupada em receber bem o visitante querido. Aparentemente tudo certo! Mas podemos facilmente tecer argumentos do quanto Marta foi tola (para dizer o mínimo) ao negligenciar a oportunidade de ouvir o próprio Deus encarnado se importando com coisas triviais.

 

No entanto, nos dias de hoje a tolice se tornou corriqueira; a média do tempo gasto com telas, pelo levantamento atual, chega a ser de 10 (dez) horas por dia e, o pior, com conteúdo do tipo "brain hot". Que tempo resta para Deus, para os relacionamentos, para o que realmente importa? Enquanto as pessoas têm se perdido em reels, filtros e status, revelando toda a ansiedade e inquietação do coração humano, a "boa parte" é ignorada.

 

Eva foi atraída pela novidade, por poder conhecer mais, por não querer estar limitada às informações que Deus lhe concedera; Marta estava presa aos compromissos e afazeres; às obrigações que consomem o tempo e roubam as prioridades. Seja a milênios ou centenas de anos o ser humano não mudou!

Hoje o "fruto proibido" continua ao alcance das mãos; como em um abismo escuro e profundo mergulhamos em busca de aprovação, de reconhecimento, de satisfação egoísta. Quanto mais buscamos, mais nos afundamos em solidão e desapontamento; a dependência dos likes e curtidas como uma droga oferecendo dopamina barata é cada vez mais insuficiente.

 

Desejamos esconder com roupas improvisadas de folhas frágeis as feridas e a verdade de quem somos. A nudez e a crueza da realidade assustam demais para ser revelada, dessa forma, nos perdemos na realidade do que somos com o personagem sorridente e bem-sucedido das fotos de perfil.

 

Estamos sempre tão atarefados para que ninguém nos peça ajuda, para não pensarem que temos tempo para socorrer, para ouvir, para abraçar. Estamos correndo e batalhando, cansados e sobrecarregados, porque então temos a impressão de nada termos feito? Porque é que, ao fim da semana agitada ainda resta a angústia de tudo por fazer?

 

A resposta é simples e encontra repouso no Autor de todas as coisas; fomos criados com um propósito e a condição para o cumprirmos é relacional, é partilhar, é dividir e até se machucar. Viver para a glória de Deus exige abrir mão do “eu”, do meu desejo de evidência e se ajoelhar calmamente aos pés de Jesus e ouvi-lO.


Poder compartilhar com os outros dessa Paz é subir à superfície, é desnudar o coração e expor-se ao contato; é necessariamente acolher, ouvir e se dispor ao julgamento e à decepção; é viver na realidade da vida e longe das ilusões das telas.

 

“Seguir o fio” da vida real e permitir-se ser moldado e mudado a cada dia por Deus, através da Sua Palavra, por intermédio do Seu Santo Espírito é desfrutar de Companhia sempre presente. Que Ele possa nos dar a capacidade de sair das amarras da auto exposição para o recôndito seguro e estável da Sua soberana vontade.

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(Acesso em 13/02/2026)

 

(Acesso em 13/02/2026)

 

 

Luana Batista

Igreja Batista Central

Dourados MS

 

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