"Preciosa é à vista do Senhor, a morte dos seus santos" (Salmo 11615)
- Edição JA

- 14 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Crônica Memorial à Irmã Kátira Sandri.
(1961-2025).
Joinville despertou silenciosa naquele 25 de setembro, como se a própria cidade soubesse que uma de suas servas mais dedicadas estava encerrando sua jornada terrena. Aos 64 anos, partia para as mansões celestiais a irmã Kátira Sandri, mulher cuja vida, desde cedo, se derramou em serviço ao Senhor e ao próximo. Amada esposa do Pastor Edgar Sandri, mãe de Alex e Laís, ela deixou para trás não apenas uma família que a honrou até o último instante, mas uma comunidade inteira que hoje reconhece a grandeza de seu legado.

A irmã Kátira enfrentou, por catorze anos, uma rara e severa enfermidade. Sua luta, no entanto, nunca foi de vítimas ou desespero, mas de coragem e fé. Cada etapa da doença foi marcada pela serenidade de quem sempre soube que sua vida estava guardada nas mãos do Senhor. Quando Deus decidiu chamá-la para si, cessando seus sofrimentos, muitos reconheceram que seu testemunho permanecia vivo - mais forte que a dor, mais profundo que a despedida.
Nascida no Rio Grande do Sul, Kátira encontrou cedo seu espaço na obra do Senhor. Nas Igrejas Batistas de Erechim e Novo Hamburgo, descobriu e aprimorou dons, refinou talentos e aprendeu a amar a Igreja com devoção singular.

Após o casamento, mudou-se para São Paulo, onde se formou em Arquitetura. Seu diploma não se limitou às pranchetas: tornou-se instrumento para edificar templos que até hoje acolhem, ensinam e transformam vidas. Projetou igrejas em Cidade Ademar, Jardim Miram, Valparaíso, TBI-1 e Joinville, além de construções no interior de São Paulo e em diversas regiões do país. Cada uma delas carrega um traço seu - discreto, firme, acolhedor -, como se seus desenhos também fossem uma forma de pregar o Evangelho.
Mas, apesar da habilidade para projetar paredes, seu maior edifício sempre esteve na alma: a Escola Bíblica Dominical. Formada no curso Normal, vocacionada ao ensino infantil, dedicou décadas à evangelização de crianças. Atuou como professora, coordenadora e líder de ensino bíblico em Novo Hamburgo, São Paulo e, por fim, em Joinville, onde deixou marcas profundas. Organizou centenas de EBFs, Tardes Alegres, classes infantis e atividades regulares em escolas públicas, alcançando pequenos que talvez jamais ouviriam de Cristo não fosse seu zelo.
A música também encontrou nela um terreno fértil. Com sensibilidade e técnica, atuou em corais, grupos de louvor e instrumentos diversos, sempre buscando o aperfeiçoamento dos cultos e a edificação da igreja. Quem conviveu com ela sabe: seu canto não era apenas harmonia - era oração.
Como esposa de pastor, viveu provérbios encarnados: “A mulher virtuosa é a coroa de seu marido” (Pv 12.4). Apoiou o ministério do Pr. Edgar com a mesma fidelidade com que servia às crianças, aos músicos, às irmãs e aos jovens. Era presença constante, estimuladora, edificadora. Sua vida cristã foi intensa em trabalho, mas leve em amor; firme em convicção, e doce no trato.
Hoje, sua ausência é sentida em cada corredor da Igreja Batista Bíblica de Joinville, em cada arquivo de projetos, em cada sala infantil, em cada louvor que ecoar. Mas seu nome - conforme lembra Provérbios 10.7, “a memória do justo é abençoada” - permanece nas lembranças que construiu com gestos simples e profundos.

O Pr. Edgar Sandri, seu esposo, em nota de despedida, resumiu o sentimento de todos em uma palavra: “Saudades!”
E assim, entre lembranças e lágrimas, a igreja reafirma que algumas vidas não passam: permanecem. A irmã Kátira termina sua carreira na terra, mas sua história segue - viva nas obras que abençoam, nas crianças que aprendeu a amar, nos templos que ajudou a erguer e nos louvores que continuarão a ser cantados até que o reencontro definitivo se cumpra.
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IMAGENS ENVIADAS E AUTORIZADAS PELO
PR. EDGAR SANDRI
CONTATO: (47) 99107-5611







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