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Reflexões sobre os "filhos de Deus" e as "filhas dos homens" - e o que isso diz sobre o nosso tempo


Entre tantas vozes e valores confusos do mundo atual, o chamado de Deus ainda é o mesmo: andar com Ele em pureza e confiança. Uma palavra inspirada no livro de Gênesis, para fortalecer a fé e reacender a esperança.


O mistério da união entre o divino e o humano


Há um trecho da Bíblia que sempre desperta curiosidade e até espanto:

Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.”(Gênesis 6.2)


Logo depois, o texto diz que a maldade humana se multiplicou sobre a terra, e Deus decidiu purificá-la com o dilúvio.

Mas o que realmente significava essa união entre os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens”?


Alguns estudiosos acreditam que se tratava de anjos que desceram à terra, conforme relatos antigos como o Livro de Enoque. Outros defendem que eram homens piedosos, descendentes de Sete, que se uniram a mulheres das famílias rebeldes de Caim.


Seja qual for a interpretação, o recado é o mesmo: quando o que é celestial se mistura com o que é terreno, algo sagrado se perde. A pureza se apaga, e o resultado é confusão e violência.


Os “gigantes” de hoje


O texto fala de gigantes - seres poderosos que dominavam tudo ao redor. Não precisamos imaginá-los como criaturas enormes, mas como símbolos de forças que ainda hoje se agigantam sobre nós:

  • o poder econômico que explora o mais fraco;

  • ideologias que apagam a fé;

  • vícios que escravizam a alma;

  • e até formas de religião que transformam o altar em palco.


Esses “gigantes” modernos são invisíveis, mas consomem o tempo, a esperança e a energia espiritual das pessoas. Vivemos cercados por eles, e o perigo é nos acostumarmos à sua presença.

 

 A mistura perigosa


A advertência de Gênesis é profunda: o problema começa quando o que vem de Deus se deixa conduzir pelos desejos humanos. Assim nasce uma fé deformada - não apenas na aparência, mas na essência.


É o que acontece quando o altar vira palco, o ministério vira carreira, a espiritualidade se torna produto e a obediência é trocada por vaidade.


Os “filhos de Deus” do nosso tempo - homens e mulheres de fé - correm o risco de se encantar pelas “filhas dos homens”: o brilho do sucesso, o poder, a aparência. E o resultado é o mesmo de antes: surgem “gigantes” que consomem a alma e esvaziam o sentido da vida espiritual.


O chamado de Noé


Em meio à confusão, Noé andava com Deus. Enquanto todos se deixavam seduzir pela mistura entre céu e terra, ele permaneceu fiel e construiu uma arca - símbolo da fé, da obediência e do refúgio.A fidelidade de um homem bastou para recomeçar a história.


Isso nos ensina que, mesmo em tempos de desordem espiritual, Deus ainda procura quem ande com Ele.Homens e mulheres que não se deixam seduzir pela aparência das “filhas dos homens”, mas mantêm o coração firme nas promessas do alto.


Entre o céu e a terra


Vivemos dias em que a fronteira entre o espiritual e o terreno está cada vez mais confusa.É fácil falar de Deus - e difícil andar com Ele.É simples construir templos - e difícil edificar caráter.

Mas a mensagem de Gênesis ainda ecoa:

  • O perigo está na mistura, e a salvação está na fidelidade.

Tu conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em Ti.” (Isaías 26.3)


Que esta palavra nos inspire a olhar para o céu sem perder os pés no chão.Que sejamos “filhos de Deus” que resistem à sedução da terra e guardam a pureza da fé.Porque o Deus que julgou o mundo também é o mesmo que oferece a arca da salvação - Jesus Cristo, nosso refúgio eterno.


Por Gerson Avena da Silva

Pastor e psicólogo

 

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