Reflexões sobre os "filhos de Deus" e as "filhas dos homens" - e o que isso diz sobre o nosso tempo
- Gerson Avena
- há 24 horas
- 3 min de leitura
Entre tantas vozes e valores confusos do mundo atual, o chamado de Deus ainda é o mesmo: andar com Ele em pureza e confiança. Uma palavra inspirada no livro de Gênesis, para fortalecer a fé e reacender a esperança.
O mistério da união entre o divino e o humano
Há um trecho da Bíblia que sempre desperta curiosidade e até espanto:
“Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.”(Gênesis 6.2)
Logo depois, o texto diz que a maldade humana se multiplicou sobre a terra, e Deus decidiu purificá-la com o dilúvio.
Mas o que realmente significava essa união entre os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens”?
Alguns estudiosos acreditam que se tratava de anjos que desceram à terra, conforme relatos antigos como o Livro de Enoque. Outros defendem que eram homens piedosos, descendentes de Sete, que se uniram a mulheres das famílias rebeldes de Caim.
Seja qual for a interpretação, o recado é o mesmo: quando o que é celestial se mistura com o que é terreno, algo sagrado se perde. A pureza se apaga, e o resultado é confusão e violência.
Os “gigantes” de hoje
O texto fala de gigantes - seres poderosos que dominavam tudo ao redor. Não precisamos imaginá-los como criaturas enormes, mas como símbolos de forças que ainda hoje se agigantam sobre nós:
o poder econômico que explora o mais fraco;
ideologias que apagam a fé;
vícios que escravizam a alma;
e até formas de religião que transformam o altar em palco.
Esses “gigantes” modernos são invisíveis, mas consomem o tempo, a esperança e a energia espiritual das pessoas. Vivemos cercados por eles, e o perigo é nos acostumarmos à sua presença.
A mistura perigosa
A advertência de Gênesis é profunda: o problema começa quando o que vem de Deus se deixa conduzir pelos desejos humanos. Assim nasce uma fé deformada - não apenas na aparência, mas na essência.
É o que acontece quando o altar vira palco, o ministério vira carreira, a espiritualidade se torna produto e a obediência é trocada por vaidade.
Os “filhos de Deus” do nosso tempo - homens e mulheres de fé - correm o risco de se encantar pelas “filhas dos homens”: o brilho do sucesso, o poder, a aparência. E o resultado é o mesmo de antes: surgem “gigantes” que consomem a alma e esvaziam o sentido da vida espiritual.
O chamado de Noé
Em meio à confusão, Noé andava com Deus. Enquanto todos se deixavam seduzir pela mistura entre céu e terra, ele permaneceu fiel e construiu uma arca - símbolo da fé, da obediência e do refúgio.A fidelidade de um homem bastou para recomeçar a história.
Isso nos ensina que, mesmo em tempos de desordem espiritual, Deus ainda procura quem ande com Ele.Homens e mulheres que não se deixam seduzir pela aparência das “filhas dos homens”, mas mantêm o coração firme nas promessas do alto.
Entre o céu e a terra
Vivemos dias em que a fronteira entre o espiritual e o terreno está cada vez mais confusa.É fácil falar de Deus - e difícil andar com Ele.É simples construir templos - e difícil edificar caráter.
Mas a mensagem de Gênesis ainda ecoa:
O perigo está na mistura, e a salvação está na fidelidade.
“Tu conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em Ti.” (Isaías 26.3)
Que esta palavra nos inspire a olhar para o céu sem perder os pés no chão.Que sejamos “filhos de Deus” que resistem à sedução da terra e guardam a pureza da fé.Porque o Deus que julgou o mundo também é o mesmo que oferece a arca da salvação - Jesus Cristo, nosso refúgio eterno.
Por Gerson Avena da Silva
Pastor e psicólogo



