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Somos todos iguais!

A nossa Constituição reconhece o princípio de igualdade como direito assegurado a todos, conforme o artigo 5º (CF/1988), que garante a sua inviolabilidade, a saber, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade’’. No entanto, esse princípio é atravessado por construções históricas, culturais e sociais que muitas vezes não se materializa no cotidiano, na realidade social.   

 

Em paradoxo a esse direito garantido em lei, a desigualdade no Brasil é um fenômeno complexo e plural que se manifesta na distribuição de renda, no acesso de bens e serviços, impactam grupos sociais, e a qualidade de vida e saúde da população brasileira. Os problemas sociais, culturais, econômicos, políticos que refletem a multidimensionalidade da desigualdade fundamentam a necessidade de construção e reestruturação do conjunto de políticas públicas (educação, saúde, moradia, segurança, alimentação, lazer, saneamento básico -recursos hídricos, etc.) como instrumento para enfrentar as desigualdades entre os sujeitos. 

 

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Parece simples, mas não é. A produção da desigualdade social e injustiça social está calcada no nosso processo de formação e desenvolvimento do nosso país, ou seja, é estrutural e sistêmico - uma lógica perpetuada nesse sistema. Romper com essa condição nessa conjuntura parece utopia, pois a desigualdade social é um processo existente dentro das relações da sociedade e essa condição prejudica e limita pessoas em vários aspectos sociais, viola direitos básicos de acesso à educação, saúde, alimentação, renda, moradia, entre outros, e determina lugares desiguais. Sendo assim, a desigualdade social postula em violação de vários direitos, e, sobretudo, reflete no princípio de igualdade que, na pratica, funciona só na letra.

 

Os dados do IBGE de 2023 revelam que As famílias que estão entre o 1% mais rico do país têm uma renda domiciliar 39,2 vezes maior do que a das famílias que estão entre os 40% mais pobres do país. O nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), também, está baixo, sendo 0,760 pontos, ocupando a posição 89 entre 193 países, atrás da Argentina, do Chile e do Uruguai. O IDH avalia o bem-estar de uma população, ao comparar indicadores como renda e riqueza, alfabetização, educação, saúde, expectativa de vida e natalidade. Ele varia de 0 a 1 e é divulgado pela ONU. Quanto mais perto de 1, melhor o índice. (BRASIL, 2024).

 

As expressões das desigualdades sociais é a fome, a miséria, a pobreza, desemprego, os vários tipos de violências, conflitos sociais e problemas ambientais. A nossa condição humana é mediada por esse processo social cuja premissa da igualdade fica na berlinda e revelam uma sociedade desigual, injusta e excludente.

 

Mas, o que a igreja tem a ver com isso? A ética cristã permeia pela justiça bíblica e esta não é polarizada politicamente, não tem lado A ou B. (Jr 22.3, Pv 31.9, Is 1.17; Tg 1:27). Reconhecer a premissa da igualdade e justiça social não é algo trivial para a igreja. Olhar as pessoas na sua condição humana, como fruto de um movimento histórico que precisam ser acolhidas nas suas necessidades é um dever do Corpo de Cristo. Reconhecer os indivíduos como sujeitos de direitos é romper com uma lógica perversa de privilégios em sentido amplo, que reflete situações incabíveis no Corpo de Cristo: corrupção, abuso de poder, abuso espiritual e privilégios em detrimento da manutenção do status quo.

 

No entanto, para além da condição terrena, pois o mundo anda de mal a pior, existe algo magnifico sobre a nossa condição humana diante do nosso Pai, Criador do Universo:  Somos iguais. Como é bom saber que somos tratados pelo Pai com igualdade, com amor incondicional, sem distinção de raça, cor, gênero, status social, posição eclesiástica ou categoria profissional. Diante do pai não existe o mais importante ou menos importante, o mais rico ou o mais pobre, muito menos o mais pecador ou menos pecador. Não existe os de direita ou de esquerda. Existem os perdidos, sem salvação, e os lavados, remidos pelo sangue de Jesus Cristo! Glória a Deus!

 

É nesse lugar que somos iguais, pois transcende nossa sociabilidade humana, que permite sermos transformados pelo Espirito Santo, que somos acolhidos na Graça de Deus até que ele volte ou finde a lida terreal. É nesse lugar que a nossa humanidade está no patamar de equivalência:  Somos pecadores e precisamos da Graça e Misericórdia de Deus todos os dias. Somos iguais mesmo em nossas diferenças.

 

É nesse lugar que somos vistos e desnudados da nossa condição terrena. Somos servos, somos devedores, somos barro, somos pó. Somos iguais na partilha, nos desafios da vida terrena, no sofrimento e na comunhão em Cristo.  A graça de Deus alcança a todos de forma igual. A super abundante graça de Deus mudou a nossa sorte, a nossa história. Glória a Deus!

 

É nesse lugar que somos perdoados, santificados e aguardamos a glorificação. É nesse lugar que está a nossa maior riqueza: a comunhão e a salvação em Cristo Jesus. Nesse lugar somos um em Cristo. Podemos observar que a escritura evidencia essa condição para aqueles que escolheram, decidiram entregar a sua vida a Jesus Cristo, e se você está em Cristo não há nada que mude isso (Gl 3.28; Rm 2.11, Prov. 22.2, I Tm 5.21, Tg 2.3-4, 9; Lv 19.15).

 

Nesse lugar não há desigualdades entre os pares, não há parcialidade, relativismo cultural, acepção de pessoas ou discriminação, não há abuso de poder, não há privilegiados. Nesse lugar existem homens e mulheres que anseiam pela glória de Deus, que diante do Pai são tratados de forma igual.  Na vida terrena, como parte do Corpo de Cristo devemos ser movidos pela justiça social, solidariedade, compaixão e amor próximo. Ou você acha que não?

 

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REFERÊNCIAS

BRASIL DE FATO. Beneficiários do bolsa família aumentam; 1% mais rico da população ganha 39 vezes mais que mais pobres. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2024/04/19/beneficiarios-do-bolsa-familia-aumentam-1-mais-rico-da-populacao-ganha-39-vezes-mais-que-mais-pobres> Acesso em: 05 jun.2024

BRASIL.  Desigualdade trava desenvolvimento social e econômico do Brasil, aponta debate. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/05/23/desigualdade-trava-desenvolvimento-social-e-economico-do-brasil-aponta-debate> Acesso em: 05 jun.2024

BRAZ, Anderson. A “justiça social” é cristã? Disponível em:

 

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