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Um olhar para a responsabilidade social da igreja

Deficiência e Inclusão: um olhar para a responsabilidade social da igreja

  

PARTE 2

 

Deficiência, inclusão e a igreja: o amor vence barreiras!

 

A inclusão de pessoas com deficiência nas nossas igrejas não é uma tarefa fácil, pois incluir consiste em propiciar acessibilidade que permita a participação destes na comunidade cristã através dos vários equipamentos, dispositivos, serviços, meios de comunicação. E um dos motivos que fazem as pessoas com deficiência tomarem distância do nosso meio é a falta de conhecimento e falta de pessoas preparada em saber lidar com esse público, principalmente quando se trata de comunicação.

 

Muitas vezes estamos entranhados de capacitismo, que transmite um olhar de pena, perguntas invasivas e aleatórias munidas de atitudes que perpetuam preconceitos, gestos de inferioridade para com essas pessoas. É vergonhoso pensar que, mesmo chamados para sermos sal, Luz, amor, compassivos, etc, ainda não aprendemos a lidar com pessoas em suas diferenças, em suas deficiência em sentido lato.

 

Segundo os dados do IBGE (2022), existem mais de 18 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil, um universo de 8,9% de pessoas. A pesquisa revela que 3,4% dessas pessoas tem duas ou mais deficiência acumuladas. Entre as dificuldades dos brasileiros, estão: subir degraus, enxergar (mesmo usando óculos ou lentes de contato), ouvir (mesmo usando aparelhos), aprender (lembrar-se das coisas ou se concentrar), levantar uma garrafa com 2 litros de água da cintura até a altura dos olhos, pegar objetos pequenos ou abrir e fechar recipientes, realizar cuidados pessoais, se comunicar (para compreender e ser compreendido).

(GRIFFO NOSSO, BRASIL, 2023, p.1)

 

São muitos os desafios para a pessoa com deficiência na sociedade, no seio familiar, na convivência com outros ‘‘considerados normais’’[1]. Esse dito padrão de normalidade obscurece a compreensão do desenvolvimento humano e produz em nós comportamento eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos que inferiorizam as pessoas com deficiência. Termos como ceguinhos, aleijados, incapaz, defeituoso/a, excepcional, retardada/o, doente mental, inválido/a escondem uma narrativa preconceituosa e precisamos parar de usar esses expressões incorretas.

 

Jesus nos ensina a amar uns aos outros e sobretudo, respeitar as pessoas em suas diferenças, através da ideia do temor a Deus. Em Levítico (19.14), Deus, através de Moises, orienta o povo de Israel   a respeitar a dignidade humana da pessoa com deficiência e a temê-lo, ao ressaltar no versículo 14: “Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.’’ As pessoas com deficiência visual ou auditiva (e outras) não pode cobrar a sua falta de respeito, sua altivez, seu comportamento preconceituoso. Mas, Deus pode! Deus é o defensor dos fracos, é justo juiz. Ele te recompensará!  (Lucas 14.13-14)

 

Êxodo 4.11 diz que Deus é o criador de tudo, inclusive das pessoas com deficiência: “E disse-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? ‘’. Em Provérbios 31.8 diz: “Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham em desolação”.

 

Como igreja temos o dever de cuidar das pessoas com deficiência, pobres, necessitados e dar condição destes participarem do corpo de Cristo. São muitos os desafios para a inclusão das pessoas com deficiência nos nossos templos, porém a falta de acolhimento, empatia e indiferença é um entrave para a efetividade da inclusão.

 

Todos têm valor no corpo de Cristo e devemos aprender a lidar com as suas diferenças (1 Co 12). Nós, igreja, fomos chamados para vivermos de uma forma que possamos acolher, incluir, cuidar, oferecer amor e respeito por todas as pessoas. A igreja deveria ser o lugar onde as pessoas possam perceber Deus através do afeto, da compreensão, da empatia, do cuidado uns pelos outros. A igreja deveria ser o lugar de mais prática do evangelho e menos teoria.

 

Fomos chamados para sermos Luz e Sal. Fomos chamados para dar oportunidades àqueles excluídos socialmente. A igreja não é um encontro de iguais.  Fomos chamados a levar o evangelho a toda criatura, sem preconceitos e precisamos aprender a zelar pelo bem-estar das pessoas com deficiência, compreendê-los em suas necessidades e formular propostas inclusivas no nosso meio.

 

Precisamos provocar mudanças em nosso meio para sermos inclusivas, e o primeiro passo é a informação, o conhecimento legal do sistema inclusivo, o qual, primeiro deve promover em nós mudanças nas nossas atitudes: romper com as barreiras atitudinais. A igreja, também, deve propor estratégias de levar o evangelho a aqueles que não tem condições de sair de casa ou de unidades residências terapêuticas, afim de promover não só a socialização, mas fortalecimento espiritual. 

 

É fácil levar o evangelho aos iguais ou as pessoas sem deficiência. É fácil demonstrar amor só para quem nos ama. É fácil conviver somente com quem temos alguma afeição. Mas, o evangelho de Deus é para todos e esse é nosso maior desafio, no caminho da inclusão: imitar a cristo sem fazer acepção de pessoas e a romper todas as barreiras que impeçam que as pessoas deficientes cheguem aos pés de Jesus.

 

Deficiência e amor são duas palavras complexas com grandes desafios no meio cristão, haja vista que a parcela de pessoas com deficiência não é significativa. Precisamos compreender que a inclusão não é só responsabilidade estatal, mas uma responsabilidade do evangelho a fim de expandir o reino de Deus, haja vista que Jesus demonstrou (em ações) seu amor e misericórdia para os grupos excluídos e marginalizados naquela época

 

Que possamos aprender a incluir. Que possamos estruturar nossas igrejas na perspectiva inclusiva (materiais, salas de recursos, profissionais qualificados, estrutura arquitetônica, etc.). Que possamos amar uns aos outros, como Cristo nos amou. Que possamos deixar que o amor de Deus revolucione a nossa vida, nosso modo de perceber as pessoas, de olhar as pessoas com deficiência como potencial participante do corpo de cristo. Que possamos deixar o amor romper as barreiras que nos impedem de incluir e amar as pessoas com deficiências.

 

REFÊRENCIAS

BRASIL. Lei nº 13.146/2015. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Disponível em < https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/513623/001042393.pdf > Acesso Jan 24

Pesquisa do IBGE aponta 18,6 milhões das pessoas com deficiência no Brasil. Maioria ainda permanece longe da escola e do mercado de trabalho. Disponível em:<https://icleconomia.com.br/ibge-brasil-186-milhoes-pessoas-com-deficiencia/>. Acesso em: 17.Mar. 2024

COSTA-RENDERS, Elizabete Cristina. Revista Caminhando v. 16, n. 2, p. 65-76 jul./dez. 2011

CARNEIRO, Everton Nery; LUSTOSA, Francisca Geny (2019) in. Dossiê: ESPIRITUALIDADE E AS CONCEPÇÕES SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: RECORTES TEMPORAIS. In FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 29, n. 4, p. 622-638, 2019

CARVALHO, Sandra Pavoeiro Tavares. Educação Inclusiva. Cuiabá: UAB/ UFMT, 2011. 94 p.

 

Espaço para TODOS: igreja inclusiva. Disponível em: < https://learn.tearfund.org/pt-pt/resources/footsteps/footsteps-101-110/footsteps-108/room-for-everyone-inclusive-church > Acesso em: 17.Mar. 2024

HERTER, LUCAS AUGUSTO. A IGREJA DOS MARGINALIZADOS: Um estudo a partir do Evangelho de Lucas. IJUÍ/RS 2017https://www.batistapioneira.edu.br/wp-content/uploads/2020/05/HERTER-Lucas-A-igreja-dos-marginalizados-um-estudo-a-partir-do-evangelho-de-Lucas.pdf. Acesso em: 17.Mar. 2024

 

 


[1] O termo correto: pessoa sem deficiência

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