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A Pneumatologia e o Planejamento

A Pneumatologia e o Planejamento Estratégico do Trabalho Cristão

(Parte 3)

 

Em nossos dias, talvez, nenhum outro aspecto geral de Deus, no tocante ao Seu relacionamento com o homem, tenha sofrido tantas distorções e incompreensões quanto esta doutrina.

 

Uma boa compreensão sobre o Espírito Santo, segundo exposto nas Escrituras, é o nosso caminho seguro. Neste momento, quero acurar o fato de que sem o Espírito, o relacionamento de Deus com o homem estaria definitivamente afetado. Se vamos falar da atuação Dele no desenvolvimento do Plano divino, vamos, primeiramente, aceitar a seguinte lista de fatos bíblicos:

 

O Espírito Santo dá o poder para o serviço:

·         No Antigo Testamento - Jz 3.10; I Sam 16.13; Ez 11:5

·         No Novo Testamento - Mt 3.16; At 1.8; I Co 12.11

·         Purifica - Jo 16. 8 - 11; Tt 3.5; Fl 1.19

·         Revela - Zc 7.12; II Pe 1.21; Mt 22.43

·         Dá evidências da presença de Deus - Jo 16.14; At 5.32

·         Guia e dirige o povo de Deus - Is 30.1; Mt 4.1; Gl 5.16

·         Produz atmosfera de adoração - Jo 16. 8 a 11; Rm 5.5

·         Dá segurança - I Jo 4.13

·         Ensina e ilumina - Jo 14.26; Jo 16.13; I Tim 4.1

·         Unifica - At 2.44 a 47; Fl 2.1 - 2

·         Convence - Jo 16. 8 - 11

·         Regenera - Jo 3. 3 - 6

·         Batiza no corpo de Cristo - I Co 12.12 - 13

·         Habita no crente - I Co 6.15 - 19; I Co 3.16

·         Liberta - Rm 8.2

·         Chama - At 13. 2 - 4

·         Gera comunhão - Jd 20; Ef 6.18

·         Gera gratidão - Ef 5.18

 

Se precisamos de uma base para que o Plano de Deus seja entendido, efetivado e concluído, eis aqui a própria!


No início de tudo

Ele estava lá (Gn. 1.1-2). Não como um convidado, Ele é Deus. Participando da economia da Trindade, Ele sempre esteve lá.

Dentro do plano e da estratégia que Deus desenvolveu no início da Nova Aliança – consequentemente da era da igreja, o Espírito Santo assumiu um “papel” fundamental. O preenchimento dos crentes, com Ele mesmo no novo nascimento, com a vontade, direção, renovação da mente e coração, com a missão, com valores e alvos e, principalmente, a realização de tudo isso. Foi obra Dele!


Mas, como era antes?

A atuação do Espírito no plano de Deus vem desde a criação. Era ele quem inspirava a vontade de Deus e a capacidade para Noé iniciar, prosperar e concluir a arca (Gn. 6.13-14). Deus o chamou e deu instruções breves e claras. Como foram as instruções mais minuciosas, não sabemos. Mas, sabemos que a capacidade temporária o dirigia até a concretização da missão: a construção da arca.


No Antigo Testamento, o Espírito não habitava.

Sua função era, entre outras, capacitar para um trabalho, uma obra específica, durante um determinado tempo.  Esta capacitação ficou conhecida como o “pairar” do Espírito. Suas mais conhecidas execuções:


·         - Tarefas específicas. Por exemplo, a construção da arca, a construção e ornamentação do tabernáculo e do templo, a extrema força de Sansão,

·         - Funções ministeriais. Por exemplo, a Palavra para os profetas, a sabedoria para os Reis etc.

·         - Posições altíssimas: Por exemplo: Abraão, Moisés, José, Davi, Juízes, Reis, Esdras, Neemias, profetas etc.


Importante reafirmar a condição temporal desta capacitação, evidenciada - entre outras - por:


·         - A refutação de Saul: “O Espírito do Senhor saiu de Saul” (I Sam. 16.14). A obstinação de Saul acabou resultando na rejeição divina e na transferência da unção real para o próximo Rei.

·         - A capacitação de Davi: “e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou - (ficou sobre, nota minha) - de Davi.” (I Sam. 16.13). Imediatamente após ungir - escolher e capacitar - Davi para o trono, o Espírito é retirado de Saul - quem não mais seria o Rei.

·         - Oração de Davi: “não retires de mim o Teu Espírito.” (S. 51.11), expressando o desejo da presença e a orientação Dele em sua vida - reconhecia a importância desse relacionamento íntimo com Deus e ansiava por não ser separado - o Espírito não mais “permanecer sobre ele”.

·         - O batismo de Jesus. “O céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lc. 3. 21-22), evidenciando a comunicação direta entre o Pai e o Filho. Essa manifestação do Espírito Santo é um sinal da capacitação - popularmente conhecida como unção. Mas, é de fato relacionada à efetivação do período ou tempo de início do ministério público e decisivo de Cristo. A presença de Deus sobre Jesus, conferindo-lhe reconhecimento e autoridade para cumprir a Sua missão neste tempo de encarnação. Note que, após este momento, segue-se a tentação no deserto e o início de Seu ministério público que, culminaria no sacrifício vicário.


No registro dos Evangelhos.

A disposição de cada livro, carta ou epístola do Novo Testamento apresenta um planejamento cirúrgico. O Espírito não apenas inspira, mas, controla a composição, a intenção, o vocabulário, a entrega. Por agora, pela tabela abaixo[1], vamos ver como exemplo apenas os Evangelhos.



Após calmamente comparar os dados da tabela acima, vê-se claramente o plano em ação, a estratégia e o alvo.

O resultado, temos visto até hoje em dia.

No desenvolvimento da Evangelho e na formação da igreja.

No início da igreja, iniciou também Seu ministério de habitação nos crentes, efetivando os dons - línguas ou idiomas, curas, milagres etc. - na expansão do plano da redenção (Atos 2).  Ratificou a necessidade de temor no plano (5. 1-11). Capacitou ao martírio (7.55) e a realização de ações, até então, impossíveis ou inexplicáveis - expulsou demônios, curou, alegrou e transportou (Cap. 8). E, fundamentalmente, dirigiu a Igreja às missões (Cap. 11-28).


O Espírito e o apóstolo Paulo.

Ninguém ensinou tanto sobre o Espírito quanto o Apóstolo Paulo. Sob sua pena e vida, ensinou que o Espírito Santo nos garante uma vida frutífera e segura (Rom. 8), manifesta-se através dos dons (I Cor. 12), Ele é a garantia da vida espiritual contrastante com a carne (Gal.6), também, a garantia da nossa salvação (Ef. 1). Podemos ter alegria, a exemplo do Servo Fiel, mesmo mediante as aflições e dificuldades da vida, prosseguindo para o alvo (Fl.3), Ele revela o Cristo exaltado, Deus eterno, e o correto relacionamento com Ele (Cl 3). Poder, não apenas as palavras (I e II Ts), empoderamento, instruções e direção aos ministros do evangelho (I e II Timóteo e Tito). Apesar de não citado diretamente, Ele traz a realidade do cristianismo para as relações mais delicadas humanas (Filemom).

O Espírito e a conclusão do plano.


Os “Sete Espíritos que estão diante do trono de Deus”, é um amplo termo citado no livro do apocalipse. Estes Sete Espíritos são frequentemente interpretados como uma referência ao Espírito Santo, representando facetas da Sua plenitude e a perfeição (Ap 1.4, 3.4, 4.5), através da sua atividade na Igreja.


O Espírito é o divino doador da visão e do poder para que o plano seja concluído.

O que aprendemos com tudo isso?


Deus tem um plano. Também, dividiu a estratégia em fases. Anteriormente, o Espírito capacitava temporariamente. Depois, habitou. Antes, o plano mostrava as direções e regras, depois passou a capacitar para vivê-las.


Cada um dos que recebem a Cristo (i.e. creram e depositaram Nele toda confiança) tem recebido a presença e o poder do Espírito para prosseguir com o plano.

Assim o “empoderamento do Espírito” tem sido a capacitação para o desenvolvimento do Plano de Deus, desde os primeiros tempos.


·         Abrahão recebeu a visão, o plano e o poder para desenvolver a estratégia. Seguiu a meta e estabeleceu-se na “terra que deus havia de lhe mostrar”. Lidou com seus problemas. E, assim, deu início ao plano.


·         Moisés tinha a missão de libertar o povo - como poderiam seguir com o plano, ainda escravizados? Desempenhou cada fase da estratégia. Recebeu a Lei e a estabeleceu sobre o povo. Sofreu oposição como poucos. Prosseguiu para o alvo durante toda a vida.


·         Esdras e Neemias entenderam que os próximos passos do plano eram: retornar para a terra, reconstruir o templo, restaurar o culto e preparar o povo, através do arrependimento, para a chegada do Rei. Estes dois juntos dão, provavelmente, uma das maiores demonstrações de como usar de planejamento, estratégia, estabelecimento de metas e alvos, para a conclusão da missão: voltar ao plano.


·         Mesmo o Senhor Jesus tinha Seu plano próprio. Sim! Obviamente, não poderia deixar de oferecer-se como sacrifício a Deus, pelos nossos pecados. Ainda, não poderia deixar de oferecer largo ensino sobre o Reino, sobre os discípulos do Rei e sobre o plano. Mas, estrategicamente falando, o treinamento dos doze foi um dos grandes alvos da Sua encarnação - incontestavelmente. Imagine, ao subir em retorno aos céus, delegou a tarefa de levar o plano ao mundo todo, primeiramente a eles. Logo, hoje, a nós também.


·         O Apóstolo Paulo, sob Sua incontestável direção, procurava a sinagoga mais importante, evangelizava o líder e pregava lá, pelo tempo possível. Buscava homens fiéis para ensinar e treinar para prosseguir o trabalho. Depois, seguia para outra cidade.

As máximas que extraímos de tudo isto:

1.    O Espírito estava no início de tudo. Isto sugere divindade.

2.    O Espírito direcionou e inspirou profetas, reis, homens e mulheres. Isto sugere alvo.

3.    O Espírito influenciou com criatividade, inteligência e coerência. Isto sugere controle.

4.    O Espírito inspirou o registro da Palavra de Deus. Isto sugere precisão.

5.    O Espírito usou pessoas no Seu poder, maneira e tempo. Isto sugere estratégia.

A presença e o poder ilimitado do Espírito nunca excluíram a participação do homem. Seu poder já nos foi dado. Precisamos prosseguir com o plano.


A grande pergunta é:

“Como não nos render à sua presença?”

A exemplo dos grandes homens e mulheres de Deus citados acima e espalhados por toda a Escritura – vide Hebreus 11, os profetas e reis, apóstolos e até o próprio Senhor, devemos sim planejar e estruturar nossa parte no plano, lançar nossas metas e alvos. Trabalhar para o prosseguimento do plano, onde quer que estejamos. Devemos assumir o compromisso pessoal com ele. Afinal, o poder de Deus – o Espírito Santo – já habita em nós.

Seu plano passa a ser o nosso plano. Sua vontade passa a ser a nossa vontade. Seus alvos passam a ser os nossos alvos. Sua estratégia passa a ser a nossa estratégia.

Como fazer tudo isso pessoalmente é assunto para o próximo tópico.

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Paulo Santos é casado com a Rosana. Teólogo (SBE) e Mestre em Ministérios (SBPV), Liderança Avançada (Haggai-Maui), plantador da Comunidade Cristã das Boas Novas Atibaia. Foi líder nacional de educação e fundador da Agência Missionária da Convenção Brasileira dos Irmãos Menonitas. Fundador do Instituto Vocati Discipulado e Liderança (2009), que distribui gratuitamente material, cursos e treinamentos para Evangelismo, Discipulado e Liderança. Missionário e líder de projetos para o Brasil, América Latina, África.

Conheça o Instituto Vocati: Novo Vocati (mailchi.mp)

Contato: coordpaul@gmail.com (11) 982672361

[1] Extraída e adaptada de Mark Driscoll, em O Plantador de Igreja, de Darrin Patrick. Vida Nova, 2010.

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