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Cristãos hedonistas

A história da humanidade é marcada por períodos. Períodos caracterizados por avanços em algumas áreas, como a industrialização e as tecnologias e por retrocessos em outras, como a ausência de lideranças efetivas em áreas vitais para a vida em sociedade, a começar pelas famílias, chegando aos altos postos de dirigentes de nações, além da individualização exacerbada que gera indiferença e falta de empatia.

 

Vivemos na pós-modernidade. Um movimento artístico, filosófico e cultural da contemporaneidade caracterizado pelas mudanças científico-tecnológicas, disseminação dos meios de comunicação social e uso desenfreado das tecnologias[1]. As principais características do movimento pós-moderno são a ausência de valores e regras, imprecisão, individualismo, pluralidade, mistura do real e do imaginário (hiper-real), produção em série, espontaneidade e liberdade de expressão. A vida é baseada na efemeridade, narcisismo e no hedonismo, ou na busca incessante do prazer[2].

 

Alguns não conhecem a expressão HEDONISTA. Outros acreditam que seja algo novo, surgido neste período da história em que vivemos, mas na verdade o HEDONISMO é bem mais antigo. Derivado da palavra grega hedonê, que significa prazer e vontade, o Hedonismo é uma filosofia que coloca o prazer como bem supremo da vida humana. O hedonismo surgiu na Antiguidade Clássica, mais precisamente na transição da filosofia clássica para a filosofia helenística. Quem o criou foi o filósofo grego Aristipo de Cirene. Ele acreditava, assim como Aristóteles, haver uma finalidade para a vida humana.

 

Segundo o professor de Filosofia Francisco Porfírio[3] "A contemporaneidade é hedonista. Somos pessoas cada vez mais cercadas por nosso individualismo, que, tomando um formato egoísta, faz com que o ego busque apenas o prazer e a satisfação imediata e individual. Não somos nem aquele modelo ideal epicurista, nem o bom vivant dos círculos burgueses modernos. Somos consumidores hedonistas, pois o prazer em nosso tempo tornou-se sinônimo de consumo. Somos também pessoas que buscam prazer nas relações superficiais e fugazes, como analisou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que vêm os vínculos afetivos como líquidos que se moldam e se rompem com facilidade."

 

Bem-vindo ao século XXI, qualquer semelhança, não é mera coincidência! A igreja é formada por pessoas, as pessoas vivem neste mundo, logo, elas trazem consigo para o ambiente eclesiástico toda essa carga de vivências e experiências. Sim, temos uma nova categoria de Cristãos: são os crentes hedonistas[4] E como a igreja tem se posicionado? Tem acompanhado as exigências dos cristãos hedonistas? ou seja, vivem fazendo malabarismos para oferecer programações e "cultos" que satisfaçam essa nova geração de crentes?

 

Sim, os cristãos hedonistas chegam à Igreja e parece que precisam ser avisados: - Olha, você veio aqui para adorar e não para ser adorado! Veja, nós estamos aqui para prestar culto e não para assistir ao culto! Você está na presença do Deus Santo! Todo Poderoso! E não diante de "um garçom" que é obrigado a atender a todos os seus pedidos e de forma rápida! Os cristãos hedonistas buscam a Igreja do bem-estar! Eles pensam: - Se não me sinto bem nesta Igreja, se ela não atende "as minhas necessidades", vou para outra igreja.

 

Mas, quais necessidades o hedonista precisa ter atendidas? Ele busca prazer e satisfação imediata, logo ele não conseguirá ouvir uma mensagem que o confronte, que confronte o seu pecado, que revele a existência de céu e inferno e um Deus justo. Muitas igrejas tem se adequado à essas exigências, não pregam mais sobre céu e inferno, não fala mais sobre pecado e santidade, afinal, precisam se adequar à nova realidade. Será?

 

O crente hedonista não consegue compreender o sofrimento como ensinado pelo Apóstolo Paulo, conhecido como o "apostolo do sofrimento". Para ele, o sofrimento tem um importante papel na formação do caráter cristão. O sofrimento produz crescimento espiritual (Rm 5.3-4). É loucura para o crente hedonista compreender a recomendação do Apóstolo Pedro em 1 Pedro 1.6 para exultar com o sofrimento. Eles preferem o discurso que Jesus Cristo morreu na Cruz e levou os pecados, as doenças, os sofrimentos, a pobreza, etc.

 

Ir para o céu não é a prioridade do crente hedonista, desfrutar de profunda comunhão com Deus, nem pensar! Viver bem aqui na terra é o alvo do cristão hedonista. As futuras glórias celestiais foram ofuscadas pelo frágil e momentâneo brilho das coisas terrenas.[5] A felicidade e a satisfação plena almejada pelos hedonista contrasta com o que o Senhor Jesus considera como a verdadeira felicidade.

 

As bem aventuranças descritas em Mateus 5 não é um sentimento, mas um estado. Que as misericórdias do Senhor alcance nossos corações e nos leve a plena compreensão de que neste mundo jamais teremos felicidade plena, completa. Que a presença do Espírito Santo em nós seja suficiente para nos encher de gozo e alegria, mesmo em meio ao mundo caótico que vivemos.

 

Autora: Maria Genaina de A R Reder.

Casada. Mãe de um casal de filhos (25 e 18 anos).

Congregando na Igreja Batista do Jardim Paulista, Guarulhos SP.

Servindo na área do ensino. Professora aposentada.

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[3] Veja mais sobre "Hedonismo" em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/hedonismo.htm. Capturado em 13/01/2024.

[4] "hedonismo cristão” é quando um cristão busca a satisfação dos seus prazeres mais do que busca a Deus, ou seja, ele coloca a busca pela sua própria felicidade acima de buscar a Deus.

[5] Extraído da Revista Nossa Fé Nº 93/2023- Editora Cultura Cristã

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