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O grande mal das “pessoas de bem”

“E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus”. Marcos 10.18


No mundo polarizado ganha proeminência uma espécie de maniqueísmo que classifica as pessoas como “as do bem e as do mal”. O que a princípio se limitava ao campo da religiosidade, agora se expande para a política e tem causado estragos nas relações entre irmãos da mesma fé. Um colega de ministério que trabalha na Justiça Eleitoral, em uma conversa privada, me relatou o caso de uma irmã do alto escalão no Judiciário, que decidiu deixar a igreja na qual congregava, devido às hostilidades demonstradas a ela, por trabalhar onde trabalhava.


Recentemente, em conversa com um zeloso irmão, ele me colocou no banco dos réus como “completamente desqualificado para servir a Deus”, por eu discordar de seu ponto de vista acerca de assuntos relacionados a duas figuras do alto escalão da política nacional. Esses exemplos demonstram que, entre cristãos e não cristãos, não há diferença quando o posicionamento é influenciado por coordenadas erradas.


Diante disso, cabe uma análise apurada dos nossos dias, pela perspectiva escatológica. A minha posição, pre-tribulacionista e pre-milenista, em relação à segunda vinda de Cristo, me leva a crer na iminência do arrebatamento que não depende de sinais. Creio que os sinais bíblicos proféticos foram dados à nação de Israel e se referem à revelação de Cristo.


A posição dispensacionalista, faz com que Apocalipse 1.19 me leve a dar atenção especial às “coisas que são”, a dispensação da graça, uma referência clara às cartas endereçadas às sete igrejas da Ásia, conforme registrado nos capítulos 3 e 4 do Apocalipse. Pessoalmente compartilho da posição dos intérpretes que defendem que a história das primeiras três igrejas era consecutiva, enquanto a história das outras quatro restantes se sobrepõem seguindo concomitantemente até o arrebatamento. Assim, as características dessas quatro igrejas: Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia se tornam as características do período a partir do ano 500 da era cristã até o arrebatamento, encerrando a atual dispensação.


Tiatira cobre o período da Idade Média com a igreja papal; Sardes seria o período da Reforma e Filadélfia está relacionada à expansão missionária iniciada a partir do século 19. Nos dias finais, as características de Laodiceia de destacam sobre as demais, começando pelo nome da cidade “Laodiceia” que é altamente sugestivo por significar “direitos das pessoas” ou “governo pelo povo”, o que pode ser considerado como definição de “democracia”.


Estamos adentrando dias quando os membros das igrejas locais se qualificam como “do bem”, à sua maneira e não da maneira de Deus, procurando soluções através da política e de outros movimentos alheios ao que realmente tem a ver com a missão da Igreja de Cristo. Uma análise detalhada das características de Laodiceia, descreve exatamente o que está ocorrendo na atualidade.


O grande mal dos crentes laodicenses é que eles se classificavam como “pessoas de bem”, seguindo o exemplo do fariseu de Lucas 18.11 que foi objetivo em sua oração em pé no templo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano ”. Nunca antes na história da Igreja, pareceu tão piedoso se apresentar como “pessoa de bem” e dizer que, do mal, são os outros. Esse é, na verdade, o grande mal das “pessoas de bem”.








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