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A Cristologia e o Planejamento

A Cristologia e o Planejamento Estratégico do Trabalho Cristão

(Parte 4)

Não vamos abordar os aspectos mais próprios ou internos da doutrina – Divindade, Pessoa, Encarnação, Expiação, Ascenção etc. Antes, no aspecto mais prático, vamos nos ater à Sua obra.

 

A obra de Cristo

 

Primeiramente, é preciso entender e separar a definição da doutrina.

A obra de Cristo, no tocante à expiação, figura de seu nascimento virginal até a ascensão aos céus; é diretamente ligada ao problema da queda do homem. Enquanto a obra geral de Cristo não pode ser figurada no espaço e tempo, pois que, antes de tudo, “Ele é” (Jo 8.58) e tudo se fez Nele e sem Ele nada do que foi feito se fez (Cl 2.15-17). Ainda, Ele é o fim de todas as coisas (Ap 21.6).

 

Parece muito estranho.

Estranho mesmo. Mas, em Seu tempo de encarnação, Jesus lançou mão de uma estratégia para completar Sua missão.

Precisamos entender melhor isto.


Anos de obscuridade.

Muito já foi dito sobre este período. Muito pela tradição e muito por especulação – como nos filmes de época, onde o Jesus menino ressuscitava passarinhos etc. Porém, muito pouco revelado nas Escrituras. Justamente por estas duas razões não vou me demorar neste tópico. Contudo, vale muito a pena entender que se houve um tempo em que Jesus não agiu proativamente, favorecendo os propósitos – ou alvos – da Sua encarnação, era porque, simplesmente, não era a hora. Se não era a hora é porque haveria a hora certa. Obviamente, isto sugere plano e estratégia. Sobre este tempo de obscuridade, já posso parar por aqui!


Primeira fase do plano - o ministério para Israel.

Do seu tempo de encarnação – 33 anos, Ele destinou apenas três ao ministério público. Isto é, Ele revelou-Se como o Filho de Deus somente por menos de 10% do Seu tempo na terra. Destes três anos, grande parte do Seu ensino foi destinado a Israel e seus relacionamentos geopolíticos.

Neste pouquíssimo tempo, Jesus falou livremente ao povo (e.g. Mt 5-7), curou muitíssimos doentes (e.g. Mt 8-9), escolheu os doze apóstolos (e.g. Mt 10), ensinou-os privadamente (e.g. Mt 10) e publicamente (e.g. Mt 15), falou por parábolas – a fim de esconder reais significados da Sua palavra a alguns (e.g. Mt 13), embateu com Fariseus e Saduceus (e.g. Mt 16), provou que era de fato Deus (e.g. Mt 17), predisse a própria morte e ressurreição (e.g. Mt 17), entregou-Se à traição, prisão, julgamento (e.g. Mt 26), condenação de morte (e.g. Mt 27), ressurreição e estabeleceu a Grande Comissão (e.g. Mt.28), entre muitas outras coisas (Jo 21.25).

Não houve improviso, imprevisto, surpresa ou casualidade. Jesus Cristo veio para fazer o que era esperado que Ele fizesse: (Jo 6.38).


“Pois Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”


Jesus sempre deixou claro que cumprir a vontade do Pai era seu grande alvo. O Plano do Pai, anteriormente iniciado, a partir a queda, estava agora sendo desempenhado diretamente pelo Filho. Contudo, manteve Seu foco em Israel. Após Sua ascensão, o plano deveria continuar a avançar.


Segunda fase do plano - o treinamento dos doze.

O Livro de Atos, já abordado anteriormente e o ministério do apóstolo Paulo, a ser abordado futuramente, mostram como o Plano prosseguiu.

1.    O Espírito Santo inicia Seu ministério de habitação, capacitando os homens – i.e. seus discípulos – a fazer o que antes lhes era impossível.

2.    A Igreja, habitada por Ele (o Espírito) e empoderada (pelos dons) por Ele, trabalha na comunicação, firmação e expansão do evangelho.

Mas, isso tudo nunca foi para haver um fim em si mesmo.


Jesus aplicou muito tempo no treinamento dos discípulos.


Desde a escolha até a delegação final, Jesus dedicou-se pessoalmente ao trabalho de preparação dos doze. Eles precisavam aprender que:

·         Jesus é Deus.

·         Ele tinha uma estratégia – um plano dentro do Plano.

·         Seu plano é complexo, mas totalmente possível.

·         Eles – os discípulos – eram parte do Plano.


Última fase do plano - A delegação e a ascensão.

Não é incrível pensar que o evangelho chegou até nós pelo trabalho duro, fatigante e martirizado daqueles homens simples? Claro, isto só foi possível – ou, chegou aonde chegou – porque o poder de Deus sempre esteve ativo, capacitando-os.

Assim, podemos entender melhor as primeiras palavras de Jesus, na Grande Comissão: (Mt 28.18-20)


"Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra” (...) “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos".


Duas notas importantíssimas, por sua relevância, precisam ser apreciadas aqui:

1.    Toda autoridade – ou poder – foi dado a Jesus. E, por Ele conferido – ou doado – aos Seus discípulos.

2.    Sua presença garantida aos discípulos. “Estarei com vocês” é uma garantia total e um infindável fio de esperança e renovação para nós.

A grande pergunta é:


Poder e presença de Jesus para quê?


O contexto (Mt 2.19-20) responde:

“vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei.”

Por Seu poder e presença, o Plano continua!


O que aprendemos com tudo isso?

Deus tem um plano. Também, dividiu a estratégia em fases. Anteriormente, o Espírito capacitava temporariamente. Depois, passou a habitar. Antes, o plano mostrava as direções e regras, depois o Espírito passou a capacitar a vivê-las.

Cada um dos que recebem a Cristo (i.e. creram e depositaram Nele toda confiança) tem recebido a presença e o poder Dele, no Espírito, para prosseguir com o plano.

O tempo de Jesus nesta terra foi dividido em três ações contínuas e muito claras:

·         Primeira. Apresentar-se a Israel, como o Filho de Deus. Ensinar e enfatizar Sua presença. Confrontar os antagonistas e ratificar Suas palavras.

·         Segunda. Treinar – ou, preparar – os apóstolos para dar prosseguimento à Sua obra.

·         Terceira. Concretizar, pessoal e intransferivelmente, a redenção.

 

As máximas que extraímos de tudo isto, segundo nosso tema maior sugerido:

1.    A encarnação de Jesus teve propósito. Isto sugere um plano e uma estratégia.

2.    Jesus aplicou-Se unicamente em cumprir Sua missão. Isto sugere foco e controle.

3.    Jesus priorizou tempo de Sua vida e ministério na preparação de doze homens. Isto sugere investimento na nova geração de líderes.

4.    Após a expiação, Jesus retornou ao céu e delegou aos discípulos. Isto sugere o cumprimento e renovação – ou expansão – da meta, ou do Plano. 

A presença e o poder ilimitados de Jesus Cristo foram inteiramente disponibilizados ao homem – i.e. Seus discípulos. Isso tudo para que continuemos com Sua obra. Prossigamos!


“Vão e façam discípulos”


Como continuar, pessoalmente, a obra de Cristo... já é assunto para o próximo tópico.

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Paulo Santos é casado com a Rosana. Teólogo (SBE) e Mestre em Ministérios (SBPV), plantador da Comunidade Cristã das Boas Novas Atibaia. Foi líder nacional de educação e fundador da Agência Missionária da Convenção Brasileira dos Irmãos Menonitas. Fundador do Instituto Vocati Discipulado e Liderança (2009), o qual distribui gratuitamente material, cursos e treinamentos para Evangelismo, Discipulado e Liderança. Missionário e líder de projetos para o Brasil, América Latina, África.

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Contato: coordpaul@gmail.com 11 982672361

 

 

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