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“Fazedores de Tendas”

Quero compartilhar aqui, um pouco da visão missionária conhecida por “Fazedores de Tendas”. Quando falamos sobre missionários, geralmente imaginamos pessoas que deixam tudo para trás e se mudam para terras distantes, ou próximas, para se dedicarem exclusivamente ao ministério. No entanto, os “Fazedores de Tendas” são chamados para uma forma especial de serviço missionário, combinando suas habilidades profissionais e o mandato para compartilhar o Evangelho.


A expressão “Fazedores de Tendas” inspira-se no ministério do apóstolo Paulo, especialmente no seu encontro com o casal Áquila e Priscila (Atos 18.3) quando transparece que os três faziam da profissão, de fazer tendas, o meio de sustento enquanto serviam. Mas, é fato, também, que no ministério de Paulo, nós o encontramos, também, agradecendo às igrejas pela bênção das ofertas recebidas (Fp 4.10-14; 2 Co 8; 2 Co 11.8). Pode-se dizer, assim, que Paulo é um missionário que atuou de forma hibrida, ora recebendo ofertas dos mantenedores, ora trabalhando no seu ofício, gerando o próprio sustento.


Atualmente, há missionários “Fazedores de Tendas”, que não teriam alternativa, pois estão em países em que missionários formais, de tempo integral, não podem atuar, como em países de domínio muçulmano, por exemplo.


As profissões para os “Fazedores de Tendas” são as mais variadas, desde professores de inglês, passando pela construção civil, profissionais da área de saúde, serviços, vendas, comércio próprio, representações, serviço social, ONGs, e muito mais. Há, também, aqueles que, aposentados, com capacidade de se auto sustentarem, partem para o trabalho de apoio em campos missionários.


Mas os “Fazedores de Tendas” não estão apenas em campos perigosos como entre muçulmanos, mas também em regiões mais abertas, tanto no exterior, quanto dentro do próprio país. Temos missionários que estão atuando na plantação de novas igrejas ou na revitalização de igrejas que perderam a capacidade de sustentar seus pastores. Profissionais de diversas áreas e com capacitação teológica podem servir, tanto como pastores, quanto como missionários. Há pequenas igrejas em cidades interioranas que não alcançam capacidade financeira para sustentar o pastor. E há profissionais, muitos até em trabalhos em home office, capazes de pastorear.


Um levantamento realizado em duas regiões aqui no Brasil no meio batista envolvendo igrejas de posição conservadora, mostraram que mais de 70% dos pastores não recebem sustento suficiente para dedicarem-se integralmente ao ministério pastoral e, portanto, precisam dedicar-se a outra atividade paralela. Dos 30% que se dedicam integralmente ao pastorado, boa parte só consegue porque a esposa trabalha e ajuda na composição da renda familiar.


Muitos missionários que estão atuando parcialmente no ministério, são pessoas que se prepararam, tanto para o ministério, quanto para alguma outra área profissional e acabam sendo denominados bivocacionais. Servem em equipes ministeriais de igrejas maiores, quanto em trabalhos pastorais em pequenas igrejas locais.


Temos, assim, atualmente, em escala crescente, seminários que fazem parcerias com faculdades no sistema EaD, preparando seus alunos, tanto teologicamente, quanto profissionalmente em outras áreas para que não enfrentem dificuldades maiores em relação ao sustento financeiro. Os missionários ou pastores “Fazedores de Tendas” estão se tornando cada vez mais comuns em nosso meio neste século 21.


Afinal de contas, a questão do sustento tem sido um assunto controverso no seio da Igreja desde o primeiro século da era cristã. A missão de alcançar o mundo com a mensagem do evangelho foi dada a todos os crentes e não apenas a alguns com chamados especiais para o trabalho de vanguarda. Todos nós somos desafiados ao envolvimento para esse sair em missão. É de nos fazer pensar o que ocorreu em Atos 8.1, quando fica claro que, na Igreja de Jerusalém, “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria” e o verso quatro informa que, “os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra”.


Em missões, temos chavões que, de certa forma, nos acomodam. Falamos em chamado, vocação, vanguarda, retaguarda, segurando cordas…. O que nos incomoda, e não deveria nos deixar acomodados é o fato de sermos um corpo, membros uns dos outros, tendo Cristo Cabeça. Além disso, somos dons que distribuídos e incumbidos de responsabilidades que implica em prestação de contas em caráter individual…








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