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Igreja, um lugar de relacionamentos sólidos ou fluídos?

Somos a geração mais hedonista, mais egoísta, mais egocêntrica, mais individualista da história. Vivemos a "modernidade líquida". O que é modernidade líquida? O conceito de "modernidade líquida" foi introduzido pelo sociólogo Zygmunt Bauman para descrever a condição contemporânea da sociedade globalizada. Esse conceito é uma metáfora para capturar a natureza fluida, volátil e dinâmica das relações sociais, instituições e identidades no mundo moderno. Bauman contrasta a "modernidade líquida" com a "modernidade sólida" do passado, onde as estruturas sociais, econômicas e políticas eram mais estáveis e previsíveis[i].

 

A partir desta definição e deste conceito eu quero (re)pensar o papel da igreja na vida do cristão contemporâneo. A Igreja instituída pelo Senhor Jesus no capítulo dois de Atos, a partir do versículo 42 não é a mesma que temos hoje. Nossas igrejas, como parte integrante da sociedade, infelizmente foi sendo aos poucos moldada e transformada de um lugar de acolhimento, de solidariedade, de partilha, de comunhão e de fé, para um espaço de efemeridade, com relacionamentos de curta duração, quando as pessoas simplesmente "somem" da igreja, vão embora, não se despedem, não dizem porque estão indo e quem fica muitas vezes nem percebe que o outro se foi, não se importa, não sente falta, denotando um relacionamento sem compromisso e sem cuidado mútuo, totalmente contrário aos princípios ensinados pela Palavra de Deus na Igreja primitiva, onde todos cuidavam de todos.

 

Neste círculo de distanciamento e indiferença as pessoas se fecham em seus problemas, em suas lutas, em suas dificuldades. Não há confiança para compartilhar, para dividir, para pedir ajuda. De um lado há o orgulho daqueles que não conseguem reconhecer suas fraquezas, que vivem uma vida cristã de aparência e superficialidade. Do outro lado, há aqueles que não são capazes de se compadecer das dores e lutas do seu próximo, que ao invés de acolher e ajudar, julgam e muitas vezes se afastam e ainda comentam de forma maldosa com outros.

 

Vivemos numa comunidade onde ninguém confia em ninguém. Onde a competição do mundo moderno tomou conta. Onde muitos fazem questão de demonstrar uma vida perfeita, uma família perfeita, um casamento perfeito, filhos perfeitos, sucesso profissional e financeiro. Esquecem-se que vivemos em um mundo caído, onde a perfeição não existe, onde a perfeição é uma promessa para a era vindoura e apenas para aqueles que nasceram de novo e foram lavados e remidos no Sangue do Cordeiro.

 

Precisamos com urgência resgatar a comunidade de fé, isto é, a Igreja, como um espaço onde os santos de Deus vivam em comunhão e sejam verdadeiros e transparentes uns com outros. Onde a dor do meu irmão seja a minha dor e a sua alegria a minha alegria (Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram - Rm 12.15). Onde o pecado do meu irmão, seja motivo da minha oração e não do meu comentário maldoso (Confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. - Tg 5.16). Estamos neste mundo, mas não somos deste mundo. Não podemos aderir aos padrões deste mundo caído e pecaminoso (Rm 12.2). Não podemos nos conformar com as relações fluidas do mundo contemporâneo.

 

O sociólogo Bauman, que citei no início deste texto, chama de sociedade sólida a sociedade que tinha como característica a confiança na rigidez das instituições e na solidificação das relações humanas. O Senhor Jesus nos chama para uma relação com Ele e esta relação não é efêmera, não é passageira. É uma relação sólida, duradoura, de longo prazo. O compromisso dEle conosco é para a eternidade. Que possamos desejar viver aqui neste mundo relacionamentos sólidos e profundos, como o exemplo que nos foi deixado pela igreja primitiva. Que o Senhor Jesus nos capacite a viver desta forma e nos livre de nós mesmos, de nossos egoísmos e indiferença, até que Ele venha!

 


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