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O risco real de uma igreja missional, mas pós-missionária

Por mais irônico que pareça, algumas igrejas correm hoje um risco que suas gerações anteriores jamais imaginariam: o de se tornar localmente ativa, mas globalmente cega. O entusiasmo em torno do movimento “missional” é genuíno e necessário - afinal, resgata a verdade de que toda a igreja deve viver sua fé no cotidiano. No entanto, esse mesmo entusiasmo pode inadvertidamente sufocar aquilo que sempre sustentou o testemunho cristão ao longo da história: a obra missionária.

 

E essa possibilidade não é um exagero retórico. É uma realidade que vem sendo percebida por pastores, líderes e missionários que lidam diariamente com a captação de sustento, com a criação de novos projetos e com a manutenção de obreiros já enviados. Enquanto o conceito de “igreja missional” cresce, o número de projetos missionários transculturais encolhe.

 

Quando o local se torna confortável demais

 

Vivemos um momento em que muitos líderes se veem encantados com a capacidade transformadora da igreja no ambiente imediato. E com razão. Uma comunidade que assume responsabilidade por seu bairro, sua vizinhança e seu ambiente social realmente encarna o Evangelho. Mas existe uma fronteira tênue entre ser missional e ser… apenas local.

 

Essa fronteira é cruzada quando a igreja passa a enxergar apenas as suas próprias necessidades, suas próprias demandas e suas próprias urgências. É o que aconteceu, aliás, com a igreja de Jerusalém nos primeiros capítulos do livro de Atos. Vibrante, generosa, intensa, mas profundamente estacionada em seu próprio território. Só mudaram de postura quando a perseguição os dispersou à força.

 

O alerta continua atual

 

O paralelo com o presente é inevitável. A igreja está, novamente, flertando com o mesmo erro: tornar-se tão eficiente em sua “Jerusalém” que esquece completamente da “Judéia”, da “Samaria” e dos “confins da terra”. O discurso missional, tão saudável em essência, pode criar uma bolha de autossuficiência. A comunidade se torna excelente anfitriã de si mesma, mas péssima mensageira para além dos seus limites.

 

A pergunta incômoda, mas necessária, é: estamos nos aproximando de uma era pós-missionária? Uma era em que a missão global deixa de existir, não por rejeição aberta, mas por desatenção silenciosa?

 

Antioquia ainda é o modelo que não seguimos

 

Enquanto Jerusalém reteve todos os seus líderes, Antioquia enviou dois dos seus melhores. Enquanto Jerusalém dispersou por obrigação, Antioquia enviou por vocação. O contraste permanece como uma lição urgente: a igreja que não envia, adoece de si mesma.

 

Não se trata de escolher entre missional e missionária. Trata-se de reconhecer que uma não existe plenamente sem a outra. O missional é o fôlego; o missionário é o passo. O missional alimenta o coração; o missionário alarga a visão.

 

O dilema que revela nossas prioridades

 

A verdade é mais dura do que parece: muitas igrejas deixaram de investir em missões porque deixaram de orar por missões. E deixaram de orar porque deixaram de enxergar o mundo. E deixaram de enxergar o mundo porque se apaixonaram pela própria imagem local. É um ciclo espiritualmente perigoso - e teologicamente insustentável.

 

“Missio Dei” lembra que a missão não é uma escolha estratégica da igreja, mas o próprio movimento de Deus no mundo. Portanto, qualquer igreja local que viva apenas para si, por mais ativa que seja, deixou de participar plenamente daquilo que Deus está fazendo.

 

Antes que seja tarde demais

 

Se as igrejas brasileiras continuarem seguindo apenas o impulso missional, sem recuperar a dimensão missionária, não estaremos apenas negligenciando outros povos a serem alcançados - estaremos empobrecendo a nós mesmos.

 

A pergunta que permanece ecoando é simples e assustadora: será que estamos repetindo Jerusalém quando deveríamos imitar Antioquia?

 

Se a resposta for sim, ainda é tempo de mudar o curso. Mas não haverá mudança sem oração global, sem ensino regular sobre missões, sem investimento financeiro intencional e, sobretudo, sem disposição para enviar nossos melhores - não apenas nossos disponíveis.

 

Porque a obediência de fato começa em casa, mas nunca termina nela.

 

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